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Aos que comentam, os comentários

Qua 30 Setembro, 2009

As vezes eu me pego lendo os comentários de quem lê o blog e me impressiono com a capacidade das palavras em tocar as pessoas. No blog, já escrevi algumas dezenas de posts sobre assuntos diversos, alguns mais polêmicos, outros mais sérios e objetivos. Mas lendo os comentários sobre meus posts sobre distúrbios de personalidade as vezes fico completamente tocado pelos relatos, quase como se pudesse sentir a mesma sensação que aqueles que escreveram estavam sentindo.

Me sinto responsável, como poucas vezes me senti, em dizer algumas coisas para confortar essas pessoas que buscam alguma resposta, ou que questionam algo, ou que simplesmente acreditam que de alguma forma exista alguma solução menos amarga para os problemas que encontram relatados aqui.

Não sei o rumo que dar a esse blog. Já foi experimental de uma diciplina do curso de Com. Social – Jornalismo da Ufes mas hoje, ainda mais agora, nem eu sei que caminho tomar aqui. As vezes era só um espaço de desabafo, não de serviço, mas depois de ler alguns comentários em posts tão velhos e que continuam sendo lidos, comentados e solicitados fico preocupado com pessoas que nunca vou conhecer de verdade, é uma sensação que só vivendo pra saber, de impotência e potência ao mesmo tempo, a primeira por não poder atuar de forma plena na ajuda a essas pessoas, de potência pq sei que tenho um canal aberto com alguns desses e que, seja lá por qual motivo for, elas me darão ouvidos.

Fiquei pensando no poder que existe nisso tudo e no vínculo que acabo criando sem perceber com quem me lê aqui. E com isso acho que valorizarei mais os que comentam por aqui.

Por Daniel Vieira

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E o Oscar vai para…

Seg 21 Setembro, 2009

…mim?

Outro dia eu estava analisando as coisas que eu falo e, talvez seja somente comigo isso, percebo que muitas vezes estou atuando ao invés de ser completamente sincero. Não sei se isso seja coisa que se fale, mas se eu fosse completamente “verdadeiro” conseguiria sobreviver?

É estranho como o mundo várias vezes te obriga a não sinceridade. Não que sejamos falsos, mas como vamos dizer “olha, esse corte de cabelo ficou ridículo” ou “Não enche!”?

Talvez pela idéia do politicamente correto, do “relações saudáveis”, daquele espírito polido, nós tenhamos de ser tão falsos. Quase como atores em vida, escolhemos bem as palavras, metodicamente, para nos mantermos bem com os outros, mesmo quando não queremos alguns tão bem assim.

Ok, imagino o tanto de briga que ia dar se todo mundo fosse mais sincero. O mundo seria mais desagradável? Talvez, pelo menos saberiamos exatamente onde estamos pisando e com quem estamos lidando. As vezes tento imaginar o que se passa na cabeça do outro enquanto fala. Se está sendo sincero ou está simplesmente dissimulando, como na maioria das situações temos de atuar, é um bom exercício a se fazer imaginar o que o outro esta a pensar.

E são raras as vezes que não estamos falando sem atuar. Raras as pessoas que nos conhecem de verdade e para quem mostramos nossas verdadeiras facetas. Talvez confiança faça isso nascer com o tempo.  Talvez afinidade, não sei. Mas e se não existisse ninguém em que vc confie? Passará o resto da sua vida atuando? Sendo N personagens por dia? Será que numa dessas você não perde sua identidade e fica sem saber quem realmente é? Quase como aqueles quebra-cabeças, onde cada peça existe sozinha, mas o conjunto, ainda misturado, não possui identidade nenhuma.

Por Daniel Vieira

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E quem disse que pedófilo é gente?

Sex 18 Setembro, 2009

Ontem, ouvindo o rádio pela manhã, me deparei com uma notícia no mínimo bizarra. Está em votação a seguinte lei:  Pedófilos condenados receberão a “oportunidade” de serem castrados quimicamente, em contrapartida, os que aceitarem,  receberiam redução de pena.

Ok, primeiramente deixarei claro, não defendo a pedofilia, sei e aceito que é imoral (apesar de que moralidade é um conceito social criado, logo…) e creio que se acontecesse com um futuro filho meu ficaria completamente indignado exigindo a morte sumária do que o fizesse. Mas leis, antes de tudo, devem ser feitas com um olhar não apaixonado e racional. Caso exista paixão, assim como na função de jornalista, cria-se coisas medonhas como essa.

Desde quando pedófilo deixou de ser gente? Normalmente castramos aqueles animais que não queremos que se reproduzam, aqueles porcos que queremos que engordem,  aquele cachorro agitado, mas o fazemos por conta da não ”racionalidade” do animal. Uma pessoa, mesmo que cometa um crime de pedofilia, deixa de ser racional? Teriamos o direito de “castrar” sua libido? Isso é tão absurdo quanto a própria pedofilia. Pegamos uma pessoa que comete um crime e “cometemos” um crime contra ela.

E se alguém disser: Mas ele escolhe. Ué, um suicida não tem o direito de escolher se pode se matar ou não. Um maluco qualquer não pode se espancar por diversão (só por religião). O pedófilo pode escolher se castrar quimicamente? Abrir mão de sua libido pelo simples fato de ele possivelmente voltar a cometer o crime? Alias, ainda mais com o sistema carcerário brasileiro e a forma como os presos lidam com esse tipo de gente, isso não chega nem a ser uma escolha, mas a única opção possível. Punimos um ato considerado bárbaro com outro! Ou seja, rebaixamo-nos ao nível dos mesmos, violamos o direito sobre seu próprio corpo e não sobre sua liberdade. Quase como a Lei de Talião do olho por olho, dente por dente.  Daqui a pouco vamos paralizar quimicamente as mãos dos ladrões para que os mesmos não possam mais cometer delitos.

Se pedofilia é uma “doença” moral, deve ser tratada com terapeutas, psiquiatria com remédios, no máximo, mas castração química? A doença desses caras no final, é a mesma que todos sofremos, não nos encaixamos em todas as regras morais da sociedade, algumas vezes isso é mais grave, como é o caso.  Mas preferimos transformar tudo em gado, é mais fácil, mais seguro e “indolor”.

Por Daniel Vieira

Ps:  Enquanto isso, ao invés de tratar de questões mais relevantes como a fome, crescimento econômico, a putaria que é o congresso, corrupção e etc. Nós, o povo, ficamos criando campanhas de “Todos contra a pedofilia”. Pedofilia destrói a vida de pessoas sim, concordo, mas as outras questões não? Quem é pior? Um pedófilo ou o Sarney? Quem fode mais vidas?” Sarney e cia” botam na bunda de todo mundo, todo dia, quase que por 24 horas. A diferença nisso tudo é que ninguém vai castrar o Sarney.

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Leis Anti-tudo

Sex 14 Agosto, 2009

Tava pensando aqui sobre a Lei Anti-Tabagismo que foi aprovada em São Paulo.  Ok, quem não fuma aprova e aplaude, afinal, cheiro de cigarro, fumo passivo e outras coisas não são agradáveis pra quem não fuma. O que ninguém para pra pensar é que cada lei dessa retira as liberdades individuais,  não pode fumar, daqui a pouco não pode beber, e não pode isso, não pode aquilo, nem aquilo outro, não pode, não pode, não pode…

Já pararam pra pensar no quão restritiva a sociedade está se tornando? Não que restrições não sejam importantes prum convívio saudável entre as pessoas. Mas vai chegar um momento que certas coisas serão como naqueles filmes futuristas onde não se pode ler certas coisas, ver certas coisas (oh, já estamos nisso ae), falar de certas coisas (opa, já estamos nesta tb) e fazer o que bem entendemos com nosso corpo com a desculpa que faz “mal a saúde”.

Ora, se a sociedade estará cada vez mais restritiva estamos numa sociedade livre? Você pode fazer qualquer coisa, desde que seja dentro da lei. Ou seja, a tal liberdade não existe. Não pode fumar em boate? Ok! E se eu criar uma boate que só entra quem fuma? Provavelmente não pode, afinal, não se pode mais fumar em lugares fechados. 

Seria mais simples cobrar uma área separada por vidraça, muro, parede o que fosse pra separar as áreas do que simplesmente proibir. Fuma quem quer, frequenta  a área de fumantes quem quer. 

Outro dia teve a polêmica com a piadinha do Danilo Gentilli no twitter, se enquadra no mesmo assunto. Somos uma sociedade onde cada vez mais podemos fazer menos. Temos de seguir a cartilha senão, já era.  Claro que aqui no Brasil ainda falta fiscalização, mas a lei está aí, imagine se a fiscalização funcionasse?

Daqui a pouco viveremos como prisioneiros das nossas próprias regras. Onde não fazemos pq queremos, mas pq a lei manda e se não fizer do jeito que está na nossa cartilha de conduta seremos execrados, presos, multados e tudo mais.

Por Daniel Vieira

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Dom 2 Agosto, 2009

Sinto-me sozinho,/
como se nenhuma outra luz existisse./
A negritude avassaladora do mundo me engole/, 
me sufoca e me acolhe/. 
Sinto-me só./
Os pontos de luz que existiam/
vão se apagando/,
se distanciando./
Até que nenhum calor exista mais./
Até que eu esteja completamente só./
E jã não tenho vontade de enxergar outras luzes/
pois, sei que no final,/
elas se apagarão também./
E só me sentirei, só.

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Curiosidade

Sex 17 Abril, 2009

Hoje, conversando com minha namorada, para variar, fiz uma renca de perguntas (a maioria delas complemente desnecessárias). Mas acabo do mesmo jeito perguntando, sem conseguir controlar o meu excesso de curiosidade.  Não sei se é comigo, mas quando quero saber algo, mesmo quando são coisas que não se perguntam fico fazendo milhões de voltas para tentar saber o que eu quero saber. Se não o faço, acabo simplesmente  perdendo meus minutos pensando somente nisso.

E como diria aquela comunidade do orkut:  ”minha imaginação é foda”. Se não sei, minha cabeça cria coisas para amenizar minha curiosidade. Cria fatos, cria roteiros, cria. Do nada, mesmo que não exista nenhum fundamento no que foi criado.

Enfim, curiosidade é como um demônio, que fica cutucando nossa orelha e até ser morto não para de falar “o que é aconteceu?”.  Só que as vezes isso pode ser um tanto quanto… inconveniente. Queria um jeito de saber instantaneamente tudo que passasse por minha cabeça.

Por Daniel Vieira

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Fases criativas.

Ter 14 Abril, 2009

Eu tinha largado o blog de lado. Depois de quase um ano, sei lá exatamente o motivo, o blog voltou a minha cabeça. De maio passado pra cá aconteceu um monte de coisa na minha vida e ao mesmo tempo parece que nada, ou melhor, quase nada mudou realmente. Mas enfim, pretendo voltar a postar aqui pelo menos semanalmente. Eu resolvi voltar por causa das coisas que eu vim passando ultimamente e que renderiam bons posts no blog.

Esses dias fiquei pensando em como funcionam exatamente meus processos criativos. Deixe-me explicar melhor. Eu como pessoa, sempre sem querer me envolvi com “arte”. Sempre escrevi verso, poesia, contos, depois me envolvi com música (um dos motivos de eu ter parado com o blog foi esse). Apesar de não me ver como artista me vejo envolvido mais com o lado emocional/irracional que com o lado técnico/racional.

Mas por incrível que pareça as vezes simplesmente me transformo. Ou travo. Não consigo romper minhas próprias barreiras e deixo de ser criativo. Caio nas repetições. Como um vício, fico a+b e raras as vezes consigo pular do b para o c. Viro quase uma máquina de repetição, linha de montagem, operário e não criador.~

E lendo sobre coisas relacionadas a criatividade, li várias e várias vezes que “95% é transpiração e 5% é inspiração”. Acho o contrário. Parte técnica, de música, de poesia, de conto, prosa, crônica, no fundo é, e isso é uma percepção que tive durante esse ano, algo como andar de bicicleta. Você aprende, treina e fica cada vez mais seguro disso. Mas ela por si só não te entrega uma bela poesia, um conto fantástico, um hit. Ela te faz ser simplesmente tecnicamente perfeito, mas e atingir a “alma” do que aprecia sua obra? Existe técnica?

Claro, retirando as fórmulas batidas, repetições babadas de palavras, notas,  melodias e harmonias, técnica nenhuma faz de ninguém um blockbuster. E ainda que você saiba todos as fórmulas de cativar o público não existe como, somente trabalhando nas formuletas, chegar aos grandes hits. Você pode fazer algum relativo sucesso mas vai se transformar em mais um, num mercado musical cada vez mais pulverizado? Num mundo virtual tão amplo? Nada além, nada além.

O que me questiono hoje é se todos os “artistas” passam por essas fases criativas. Como se existisse uma cota de assuntos. Não sei se isso acontece comigo pelo simples fato de eu, como posso dizer sem parecer estranho ou simplesmente maluco, me isolar de tempos em tempos do mundo, parar de me relacionar com as coisas externas e gastar tudo que eu tenho e então, novamente, procurar por motivações, buscar inspirações, renovar meu cérebro. Ou se na verdade, eu penso que é assim mas mesmo que se eu estivesse inserido num mundo, rodeado de coisas novas inevitavelmente eu passaria por períodos de excassez criativa.

O maior problema hoje para mim é  minha falta, por incrível que pareça apesar do abandono do blog, de foco. Eu passo pro excassez criativa em música hoje, mas consiguia escrever poesias.  Faço três ou quatro coisas, gasto minha criatividade em N coisas mas naquilo que eu preciso ser criativo me torno simplesmente repetitivo, revejo o que já fiz e acabo fazendo o mesmo, com outra roupa, mas o mesmo. E claro, hoje, estou na mingua da minha criatividade, nem poesia, nem música. Talvez eu precise de umas férias da minha cabeça, quem sabe eu volte a ser criativo.

Por Daniel Vieira.

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Sensação estranha.

Dom 18 Maio, 2008

Talvez um post desabafo. Mas não sei se isso é só comigo mas eu to percebendo o quanto são rasas todas as minhas relações com as pessoas. O engraçado que isso nunca me incomodou, até eu perceber. Como exemplo, e isso pode “magoar” alguém, posso mudar de cidade, de curso, de país que o “tudo novo” não me seria estranhoe  rapidamente eu me desconectaria das pessoas anteriores e passaria para as próximas.

Enquanto eu escrevia o parágrafo eu tentava achar a palavra certa, e creio que seja desapego. Eu me percebi desapegado, como se pouco importasse os outros, meio como peças substituíveis numa máquina qualquer onde pouco importa se a peça é X ou Y só importa o funcionamento da máquina, no caso, eu. Mas isso nem é egoísmo ou coisa assim, não é “foda-se” os outros. Mas é falta de interesse em construir algo entre eu e os outros, como se não valesse muito a pena.

Talvez eu esteja perdendo minha habilidade de relacionar-me com os outros. Só espero que isso pare de incomodar ou eu resolva isso.

Por Daniel Vieira.

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Isso sim é loucura.

Sáb 29 Março, 2008

Eu poderia começar esse post rindo, com um hahaha de cinquenta (esse teclado nao tem trema, maldição) linhas. Se o mundo fosse lógico, racional ou, se nenhum desses dois fosse mas se pudessemors classificar como, no mínimo, ”entendível” eu aceitaria.

Lembro de ter escrito que parecia existir alguém, mais sádico e “maldoso” que eu, controlando e manipulando os fatos e acontecimentos para seu divertimento. Como quando alguém joga The Sims e coloca uma criatura virtual dentro de uma piscina onde ele jamais pode sair até que este morra. Sim, se quem está lendo isso acredita em Deus, Diabo, Capeta, Buda, Exu Caveira, creia, mas saiba, o teu salvador é no mínimo um GRANDE SACANA (Isso pra não usar de palavras pouco convenientes nesse blog onde sempre tentei manter algum nível). É engraçado, eu até tiro sarro de coisas que não se deve tirar sarro mas não é irônico que uma pessoa que desista de incendiar uma casa em troca de dinheiro morra de uma forma cruel, tostado como um churrasco muito bem passado(ah, o sarro fica no fato desse mesmo sujeito vender churrasco), exatamente por ter DESISTIDO de tocar fogo nos outros? Por isso estou rindo. Dou gargalhadas infinitas como um louco!

Mas não só pro churrasco de churrasqueiro, mas pelo pior acontecer com as pessoas que tentam se redimir, ou até com pessoas que não tem culpa alguma. Se existe algum plano “divino” pras pessoas boas esse plano sempre foi completamente oposto! E eu dou risada. Por simplesmente ter percebido que nunca adiantou lutar contra, é só seguir a corrente! Sejamos todos grandessíssimos sacanas. Estraguemos a felicidade alheia, preguemos o ódio, plantemos a traição, sejamos egoístas! Sabe, essa tal de solidariedade, amizade e outras balelas pregadas pela tal moral conceituada dentro da nossa sociedade? Quem cumpre isso só perde!

Sim, agora sou do Partido dos Grandes Filhos Duma Puta do Mundo. E por mim, que sua vida seja bem ruim, pior do que eu consiga imaginar! E acredite consigo imaginar atrocidades que até Hitler/Stalin/Costa e Silva sentiriam calafrios (talvez de prazer).

Por Daniel Vieira de Figueredo.

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In-existência

Sex 30 Novembro, 2007

E eu queria, sem ver, escrever e conseguir colocar duma forma “entendível” tudo que eu tenho pensado nessas semanas, nessa noite, principalmente. É engraçado como nosso pensamento foge quando a idéia é boa e só lhe falta pegar pelo rabo dela enquanto ela foge por aí, nesses cantos escuros do cérebro. Mas 0kay… vamos tentar.

Eu podia simplesmente jogar tudo pro alto. Já fui tanta coisa, quase tudo na verdade, louco, punk, poeta, músico, cozinheiro, escritor, amante, filho, professor, aluno… EU podia simplesemente jogar tudo pro alto, deixar pra trás uma história, uma vida e um mundo. Começar de novo? Não! Nunca! Mas ao jogar tudo pro alto eu inexistiria. Seria como aquelas estrelas que se apagam num céu limpo e ninguém percebe.  E quem quer perceber algo que se apaga num lugar onde todo dia nasce mais um?

Mas, com o passar dos dias eu percebi que não existe uma real forma de inexistir. Você pode pirar e apagar seu passado, mudar de cidade, país, planeta, galáxia… mas e dentro de você mesmo? A tua existência anterior ao radicalismo da mudança continuará a martelar, como aquelas máquinas bate-estacas, erros anteriores voltarão, acertos, tristezas e alegrias. A sua existência dentro da inexistência. Confuso? Eu tentarei simplificar.

A nossa existência, nossa… consciência continua existindo independentemente da nossa inexistência para os outros. Você pode fazer tudo errado e destruir todas as coisas que você fez, manchar sua “reputação”, perder a confiança de todos. As pessoas que você um dia prejudicou, ou que sabem de algo daquilo que você se envergonha, se esquecerão de você um dia, isso é fácil, basta mudar o círculo de amigos, cidade, local de trabalho. Mas você esquecerá isso?

Como disse no início do post. Jogar tudo para o alto e inexistir é muito fácil. Mas nunca conseguiremos deixar tudo para trás. Superam-se traumas, vergonhas, erros e até se aprende algo com eles. Mas esquecer? Ser outra pessoa diferente? Só apagando a própria e real existência. Sem querer ser trágico e dramático mas, mesmo assim, sendo: Só a morte nos libertaria da nossa própria existência. Então acostumem-se com suas próprias frustrações pois essa tal de vida real é aquele tipo de jogo que não tem save, não tem “extra-life”, nem segunda chance. Se existisse isso, seria muito fácil e quem sabe até perderia a graça, não?

Por Daniel Vieira

ps: Eu ia postar esse texto a quase um mês atrás. Estava incompleto, estava estranho e muito mais sem sentido. A idéia acabou se distorcendo com o tempo mas continua a mesma em sua essência.