Posts de Maio, 2007

h1

Uma loucura Radical

Qui 31 Maio, 2007

Eu acredito que o homem é dotado de sensações como o medo e a dor para que se evite a morte. Se estamos em cima de um prédio de 20 andares e olhamos para baixo, sentimos aquele friozinho na barriga né?! Isso porque sabemos que se cairmos, morremos. Ou um arranhão no braço gera dor, já que uma facada mata alguém. Pois é, até aí está tudo normal né, se não fossem aqueles “malucos” que usam tais sensações como forma de prazer e divertimento. Pessoas se jogam de cima de prédios e pontes amarrados por cordas, ou de aviões, na confiança de se safar pelo uso do paraquedas. Outros passam por cima de fogueiras com uma moto, ou ainda há aqueles que fazem manobras com aviões… Talvez pelo desafio, talvez pela adrenalina, nao sei.. Mas são os loucos que desafiam a vida por diversão!

Os videos acima são continuação um do outro.. Sinistro o acidente né?!
Enfim, pode ser prazeroso tais atividades, mas é sempre bom lembrar que pode dar errado.. mas vendo vários videos e fotos parecidas pela internet, lembrei de outro ponto.. interessante o prazer que o desastre também causa às pessoas.. coisas do tipo fazem o maior sucesso.. mais um prova de como a população sente prazer no espetáculo do desatre alheio!
Loucos maníacos!! :)

“A única diferença entre um louco e eu é que eu não sou louco”
Salvador Dali

Por Paula Varejão

Veja mais sobre o assunto..

Caraca Maluco!!

h1

[L]oucura [S]ordidamente [D]oce

Ter 29 Maio, 2007

Eu acredito que existam 3 tipos de loucura, a natural, a momentânea (desatinos e essas coisas) e aquela que você adquire por vontade própria.

Falando em formas de adquirir loucura por vonatde própria citarei uma: Diatilamida do ácido lisérgico, ou LSD, foi descoberto por Albert Hoffmann em 1943 de forma acidental. Pulando essa parte histórica da droga e passando para ao ponto do qual sempre tratamos no blog o LSD é o mais próximo de um estado de loucura que eu acredito que se pode chegar.Imagine o mundo distorcido, sem forma real. É algo que acontece com o uso de LSD, é como se tudo fosse uma única pintura de plástico em 2D e ela estivesse sendo queimada, melhor, derretida. Tudo se mistura, nada é como na realidade é. Ou será que é a realidade sem os véus (como diria Huxley, “Quando as portas da percepção estiverem abertas, tudo será como é”)?

Os traços de distorção, obviamente, não são exatamente o que tornam o LSD a droga que aproxima o homem do louco. Ele age de alguma forma sobre a forma de raciocínio da pessoa. As vezes, os padrões de pensamento ficam parecidos com o de pessoas esquizofrênicas. Por vezes a organização do pensamento é rápida e lógica, porém a velocidade é tanta que assimilar tudo que te vem na cabeça não é possível, você acaba tendo tantos vislumbres de idéia em tão pouco tempo que o tudo se torna nada e você não consegue transferir tudo que você pensou para ações ou palavras e o que você passa pro mundo concreto parece sem sentido algum. Em alguns casos os pensamentos simplesmente somem, como em estados de nirvana e meditação profunda, e você precencia o pensar em nada.

Por vezes eu acredito que o ácido também possa agir como um desbloqueador da ID, fazendo com que o estado da profundidade da “alma”, do intangível quando se está sóbrio, fique solto. Usando uma metáfora besta, libera o monstro da jaula (a ID do SUPEREGO) e quando a ID está a solta tudo o que você tem de melhor e pior chega a superfície.

As vezes, lendo livros como o de Carlos Castañeda (A Erva do Diabo) ou de Huxley (As portas da percepção) eu percebo muito uma visão descritiva da droga, do campo visual, mas ela age de forma muito mais profunda nos campos do pensamento e dos sentimentos. A visão de mundo muda, as formas de atingir os objetivos mudam e o padrão de pensamento também.

Ou você acha mesmo que é só um monte de alucinações e pronto?

Por Daniel Vieira

h1

Personalidade Borderline

Sex 25 Maio, 2007

“I was never faithful
And I was never one to trust
Borderline and skizzo
And guaranteed to cause a fuss”
Placebo – Black Eyed

Eu, volta e meia, fico lendo sobre distúrbios de personalidade. Talvez eu seja só curioso sobre o assunto, talvez eu devesse estar fazendo psicologia. Enfim, a personalidade Borderline é muitas vezes confundida com o Distúrbio Bipolar do Humor por ser marcada por variações de estados de humor. Porém, ela é um tanto diferente.

Você já deve ter conhecido gente com esse tipo de personalidade, você nunca conheceu ninguém que tenha um grau de difícil controle da raiva? De alguém que não sabe direito o que é, toda hora tá diferente ou mudando o jeito de ver as coisas? Para os analistas os borderlines não possuem indentidade construida, ela é frágil e sem estrutura e por isso acaba sendo toda hora destruída e recriada pelos sujeitos que possuem essa personalidade. É também uma pessoa que se caracteriza por relacionamentos instáveis e extremamente intensos e muitas vezes marcado por extremos de idealização e desvalorização.

É também um tipo de pessoa que mantêm esforços frenético para manter-se “seguro”, ou seja, para evitar o abandono, real ou imaginado. Aquele tipo de pessoa insegura e que para tentar manter o que tem pode chegar a extremos como atos de automultilação ou suicício.

O que faz todo mundo confundir, e com até certa razão, com o distúrbio bipolar do humor é o fato de ele assumir por diversas vezes uma certa impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente prejudiciais à própria pessoa (por ex., gastos financeiros, sexo, abuso de substâncias, direção imprudente, comer compulsivamente) assim como nos episódios de mania do DBH em que as pessoas ficam com estados de euforia tão grande que acabam comentendo desatinos por conta da doença.

Por Daniel Vieira

h1

A loucura da busca incessante pela felicidade.

Qui 24 Maio, 2007

Roberto Shiyashiki, 53 anos, além de escritor, é psiquiatra e psicoterapeuta. Presidente da Editora Gente e recém formado também em administração pela USP, combate a supervalorização da aparência. Observador contumaz das manias humanas, Roberto está cansado dos jogos de aparência que tomaram conta das corporações e das famílias. Nas entrevistas de emprego, por exemplo, os candidatos repetem o que imaginam que deve ser dito. Num teatro constante, são todos felizes, motivados, corretos, embora muitas vezes pequem na competência. Dizem-se perfeccionistas: ninguém comete falhas, ninguém erra. Em entrevista para a Revista Istoé, aponta as quatro loucuras da sociedade.

“Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe. O mundo define que poucas pessoas deram certo. Isso é uma loucura. Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegaram a ser gerentes. E essas pessoas são tratadas como uma multidão de fracassados. Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não valeu a pena porque não conseguiu ter o carro nem a casa maravilhosa. O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes. Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros. É pena que a maior parte das pessoas esconda suas raízes. O resultado é um mundo vítima da depressão.

A gente não é super-herói nem superfracassado. A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza. Não há nada de errado nisso.

A sociedade quer definir o que é certo. São quatro loucuras da sociedade. A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais. A segunda loucura é: “Você tem de estar feliz todos os dias.” A terceira é: “Você tem que comprar tudo o que puder.” O resultado é esse consumismo absurdo. Por fim, a quarta loucura: “Você tem de fazer as coisas do jeito certo.” Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Você precisa ser feliz tomando sorvete, levando os filhos para brincar.”

Max G Pinto  
“Hoje, como as pessoas
não conseguem nem ser nem ter, o grande objetivo de vida se tornou parecer “

leia a entrvista de Roberto Shiyashiki completa.

Enfim, estão aí outros tipos de loucura. Essa busca incessante e incansável pela utopia de felicidade estabelecida pela sociedade. A obrigação ter ter uma família linda e perfeita, um emprego bom, uma casa legal, um carro…. sair de casa às 7 e voltar ás 7, jantar e dormir para mais um dia de trabalho chato, contando os dias para sua aposentadoria… Muitas vezes as pessoas não param pra pensar em seus próprios valores e ideais de felicidade.

“Não vou namorar fulano, porquê ninguém gosta dele”… Já ouvi dizer não lembro mais onde nem quem, acho que foi em uma entrevista na TV, em que uma mulher, quando perguntada qual sua profissão se sentia envergonhada em assumir-se “dona-de-casa”, porque isto não tem respaldo social. Se hoje ela tem 50 anos, quando tinha 20 se formou em arquitetura e nunca seguiu, prefere se auto-denominar arquiteta. E se de repente você engordar uns quilinhos?? meu deus o mundo acabou ne??!! todas as suas amigas vão ficar enchendo o seu caso dizendo que você engordou, e as colegas comentarão umas com as outras… aí então as meninas que tentam se encaixar naquele tal padrão morrem de bulimia e outras doenças relacionadas… é uma verdadeira loucura pela busca da incersão social. E o mundo publicitário adooora isso. Ande com determinado tênis que você conquistará a mulher amada, ou tenha tal carro que assim você será feliz!!!.. mensagens que, sim, já são clichês, mas continuam a funcionar já que estão sempre presentes.

Como o nosso velho e bom amigo Nietzche sempre dizia, o mundo precisa de homens que criem novos valores – os chamados “super-homens”- já que a sociedade atual está carente de valores subjetivos.. estamos na era no niilismo, desejamos todas as coisas e ao mesmo tempo nada. O homem contemporâneo é vazio e poucas decisões são legítimas.

Por Paula Varejão

Outro blogg sobre o assunto: Lislene´s Space

h1

Aleatório?

Qui 24 Maio, 2007

Eu tava reparando aqui, as vezes o aleatório chega a ser… preciso demais.

Não sei, mas eu tava vendo isso e achando graça que aos poucos fatos que aparentemente são desconexos vão se conectando, coisinhas que você fez e não dá a menor importância mas depois de um tempo vão crescendo e tomando uma forma avassaladora tipo uma bola de neve.

Eu não sou do cara que acredita em destino, signo, pré-destinação, livro da vida e afins, eu sou cético em relação a tudo isso. Mas as vezes, e ultimamente não tem sido poucas vezes, meu ceticismo fica abalado por conta dessa estranha aleatoriedade.

E ultimamente eu vejo cada esquisitisse acontecendo, coisas que eu fiz a muito tempo influenciarem fatos que eu nunca imaginei que poderiam estar ligados, como disse antes, coisas aparentemente desconexas, sem sentido de ter ligação e coisas que eu não vejo relação no fim estarem relacionadas sem a menor lógica possível. Mas saindo da minha percepção restrita de mundo e passando pra de quem lê esse blog (se alguém lê isso). Você nunca se pegou indo em algum lugar e encontrar exatamente quem você estava precisando encontrar, isso no lugar mais inesperado e impossível? Ou, um exemplo tosco, você ia para uma festa e na última hora você acha melhor não ir, no minuto seguinte a sua inexplicável desistência “aleatoriamente” acontece algo que exige tua presença em algum outro lugar. As coincidências de você ter decidido sair por um minuto pra comprar alguma coisa e naquele exato minuto que você saiu algum maluco estar te procurando e não te acha em casa só pq você decidiu sair pra comprar uma besteirinha e se você tivesse em casa poderia ter tido um grande problema por conta disso, ou até aquela frase idiota “no lugar certo, na hora certa”.

Não sei se isso é viagem só minha mas, as vezes, eu me imagino num grande joguinho bizarro onde ficam jogando pra cima e pra baixo com as vidas alheias que eu chego a achar que é quase uma conspiração maluca dum povo que realmente não tem o que fazer da vida ou tem né, ficar brincando disso deve ser muito divertido, não existe quem fica jogando The Sims e simulando de jogar com a vida de bonecos virtuais?

Ps: Não, eu não sou paranóico, é só que as vezes dá até graça de pensar sobre a vida.

Ps2: Se eu chegar na faculdade e alguém tiver chamado a galera do hospício eu vou dar sérios motivos não para me levarem pro hospício e sim para a cadeia. :D

Ps3: E sim, o Ps2 é uma ameaça.

Por Daniel Vieira de Figueredo com insônia.

h1

Loucura é liberdade ou liberdade é loucura?

Dom 20 Maio, 2007

Alguém já parou pra pensar nisso? Eu tava aqui, domingão, fazendo o que metade da população brasileira faz no domingo, nada, e me veio de súbito esse “devaneio”.

Eu nunca achei nem concordei muito que todos somos livres para fazer o que quisermos, se fosse assim eu poderia muito bem sair andando peladão na rua e não ia preso e nem tomar uma boa surra no meio do caminho. Não lembro muito bem onde eu ouvi isto mas  deve ter sido numa das aula na UFES: “O homem priva-se de sua liberdade para ter segurança”  (aos que lembram até a cor da cueca dos professores me desculpem, mas eu não fico me apegando a detalhes).

Pois bem,  chegando ao ponto em que quero tocar. Quando você deseja a total liberdade você estaria jogando fora toda e qualquer amarra que a “sociedade”, a cultura, a religião e a família cria para te dar parametros de convívio.  Quando você se desfaz de uma dessas amarras, de qualquer um desses parâmetros sociais/religiosos/familiares, você está próximo ao que chamam de loucura. Ou você acha mesmo que se eu sair andando peladão , balançando minha bingola na rua não vão me chamar de tarado, pevertido ou louco?

Existem outras questões, por exemplo, eu não posso fazer o que eu quero, não posso chegar num belo dia e falar “ah, foda-se a faculdade! quero ir esse mês lá não” (se bem que eu fiz isso já=p , mas não de novo -_-) pq simplesmente posso reprovar e não precisar ir lá até o semestre que vem (hmm…) fazer de novo as matérias. Ou simplesmente ficar por ai “vadiando” ou simplesmente apreciando a vida. Existem as malditas convenções, quem vive tem de pagar pra viver, ou você acha mesmo que todo mundo aqui trabalha pq se amarra em ficar ralando 8 horas por dia pra no final do mês pagar as suas “taxas de sobrevivência” ( É isso mesmo, taxa de sobrevivência, eu vejo o Estado hoje como um tipo de “senhor feudal”, a gente compra uma casa e paga o IPTU, compra um carro, mas se quer colocar ele na rua tem de pagar o IPVA e aí de quem não pagar teu carro é apreendido e você só vai retirá-lo quando pagar pro Estado, mas afinal, o carro é de quem mesmo?).

Acha-se livre? Eu não.
E no dia que eu me acreditar livre vão me levar numa camisa de força prum desses manicômios por aí.

Ps: O texto tá confuso? To com um pequeno problema pra organizar esse tipo de idéias O.o

Por Daniel Vieira.

h1

18 de maio: Dia nacional de luta antimanicomial

Qua 16 Maio, 2007

Acompanhando as informações do post anterior, vamos comemorar o dia nacional de luta antimanicomial!!

Para você que não leu o textinho anteroir, O Movimento Nacional de Luta Antimanicomial (MNLA) é um movimento social disseminado por todos os estados do Brasil que tem como metas o fechamento de hospícios e manicômios do país e a promoção de uma cultura de tratamento, convivência e tolerância, no seio da sociedade, para as pessoas com sofrimento emocional de qualquer tipo.

A MNLA tem participado de iniciativas políticas de elaboração e discussão de Projetos Legislativos e, em âmbito executivo, de ações governamentais em tentativas de se criar políticas de saúde mental que prestem ao portador de transtornos psíquicos o respeito e cidadania que merecem. Mas ainda hoje há mais de 60.000 pessoas encarceradas em hospícios no Brasil, em condição de descaso e abandono, trancadas, mas não tratadas. Este grave desrespeito aos direitos humanos, como outros tantos em nosso país, passa longe da percepção do cidadão comum, pois não é notícia, mas continua enchendo os bolsos dos empresários da loucura. Se no início do movimento antimanicomial a imprensa teve um papel fundamental ao veicular histórias e imagens da barbárie que acontecia dentro dos muros do hospício, hoje tem contribuído para uma grande confusão de conceitos fora destes muros. Temos assistido paulatinamente a matérias que apresentam psicopatas como o “Maníaco do Parque” e o “Estudante do Cinema” como doentes mentais que apenas fomentam a desinformação e reforçam preconceitos que atingem milhões de portadores das mais diversas doenças mentais de natureza não agressiva e anti-social

A população em geral, incluindo-se aí as classes mais favorecidas, é carente de informação sobre como procurar ajuda em caso de uma crise emocional na família ou na comunidade, e a idéia da internação psiquiátrica ainda é a primeira que aparece como alternativa.
 
Assim, será organizado em São Paulo um grande ato público no dia 18 de maio, Dia Nacional de Luta Antimanicomial, no vão livre do MASP, na Avenida Paulista, a partir das 11h, que contará com a participação de diversos grupos artísticos ligados às formas substitutivas de atenção em saúde mental, bem como artistas, outros movimentos sociais e apoiadores em geral. O ato público terá o caráter de intervenção cultural, estética, política e sobretudo ética – propondo uma nova maneira de se relacionar com o outro, através do respeito, da solidariedade e da beleza, com o objetivo maior de a ampliar a visibilidade e o alcance do movimento e da cultura antimanicomial.
 
Maiores informações com Patricia Villas-Bôas pelo e-mail   patvillasboas@ig.com.br ou pelo fone (11)9154-4984.

h1

A cura da loucura ou a loucura da cura?

Qua 16 Maio, 2007

- Psicanálise e o movimento Antimanicomial - 

Nos últimos dez anos, o problema da instituição psiquiátrica tem sido discutido por diversos setores da sociedade brasileira. Tendo se iniciado com um posicionamento dos trabalhadores de saúde mental, em 1987 nasce o Movimento Nacional da Luta Antimanicomial, se posicionando no sentido de negar o manicômio como forma de tratamento e de propor novas alternativas terapêuticas ao indivíduo portador de transtornos psíquicos.

Michel Foucault (1926-1984), em seu História da Loucura na Idade Clássica (1972), cita um quadro de Hieronymus Bosch1 chamado A Cura da Loucura (1475-1480). O subtítulo, Extração da Pedra da Loucura, faz referência a um “recurso terapêutico” razoavelmente comum na Idade Média. Hoje, não se tenta “tirar pedras da loucura”, mas pode-se dizer que “joga-se pedras” na cabeça dos loucos com os tratamentos a base de neurolépticos (sedativos do Sistema Nervoso Central), eletrochoques (verdadeiros “curtos-circuitos” cerebrais), insulinoterapia (deixa o paciente em coma) e “em último recurso” a lobotomia, como se a morte, destino da maioria dos internos, não fosse o último recurso. Tem-se usado o fato de medicamentos tornarem a vida dos “doentes” mais tolerável como argumento de que existe uma causa orgânica para todos os males mentais. Mas, tais medicamentos apenas atuam sobre efeitos do efeito e na maioria dos casos apenas aliena mais ainda a personalidade do indivíduo quando não a nega totalmente, no caso da terapêutica do manicômio.

Ronald Laing, junto com Thomas S. Szazs, criou no início dos anos setenta uma linha de pensamento e abordagem sobre a chamada doença mental que questionava a psiquiatria tradicional. A esse movimento, que com o passar dos anos cresceu em número de adeptos dentro da psiquiatria, como também de opositores, deu-se o nome de “Anti-Psiquiatria”. Ela parte do princípio de que não existe, de fato, uma entidade clínica a que se possa chamar de doença mental. O paciente, chamado por Laing de “divergente social”, é punido por ser diferente e incomodar a razão da maioria. A questão entre a sanidade e a loucura seria mais de âmbito filosófico, e não clínico. Além disso, para Laing, o paciente esconde-se nesse comportamento, chamado doentio, para evitar o sofrimento que as circunstâncias de sua vida ou sua inabilidade para enfrentá-las impõe. O paciente, dessa forma, não seria apenas a figura passiva e motivo de piedade da sociedade, mas sim personagem principal, atuante na configuração desse comportamento diferente e alienado. Pode-se dizer que o cérebro cria seus meios de defesa para o que pode lhe dar algum desconforto. Alucinações e delírios podem ser esses meios.

Os anti-psiquiatras contestam o caráter patogênico. Foucault, por outro lado, era um teórico, um filósofo, nunca havia vivido entre os loucos, mas compartilhava com os anti-psiquiatras a idéia que os loucos não sofrem de uma doença, mas sim de opressão de uma sociedade que não os compreende.
“Para esses rebeldes, a loucura não era absolutamente uma doença, mas uma história: a história de uma viagem, de uma passagem ou de uma situação, das quais a esquizofrenia era a forma mais aperfeiçoada, porque traduzia em uma resposta delirante para o desconforto de uma alienação social ou familiar.”

Um nível além da discussão sobre Foucault e em conjunto com os anti-psiquiatras vem a possibilidade de cura da loucura. Quando se acredita que a loucura é um sintoma de uma alteração biológica inerente a pessoa, a cura é uma impossibilidade virtual. Concordamos que uma parte das pessoas com distúrbios psíquicos realmente sofrem uma alteração do Sistema Nervoso, quando esta é presente ou latente desde o nascimento. Nestes casos poderíamos até mesmo falar de cura, quando lembramos o quanto o cérebro pode ser desenvolvido e modelado pela aprendizagem. Talvez, então, não seriam tão inacessíveis assim a psicanálise e a (re)-construção psíquica de si mesmos.

Mas, tão ou mais importante que as alterações biológicas são os casos nos quais a psicose é uma reação do indivíduo a uma realidade sufocante e alienante. Nos estudos apresentados pelos anti-psiquiatras verifica-se que a chamada “doença mental” poderia ser muito bem compreendida como uma reação a um ambiente que poderíamos dizer mais “doente” que o “doente mental”. Podemos perceber aqui como esta reação é perfeitamente inteligível dentro do sistema e pode atuar como a “cura” de um processo anterior que poderia ser considerado patogênico. Certamente neste tipo de estudo a contribuição da psicologia sistêmica seria muito apreciada para se estudar o desenvolvimento do indivíduo e do microcosmo familiar enquanto sistemas.

A peça de teatro “Delírio”, escrita e dirigida pelo psicólogo Antonio Rayan, trata da real existência da doença mental e traça também um curioso paralelo entre a “moderna” psiquiatria e a “antiga” inquisição, mostrando uma certa semelhança no tratamento dos antigos “possuídos” e dos modernos “pacientes”. Mudaram-se os nomes mas o tratamento é o mesmo. A peça questiona a razão e o chamado “bem”. O “Bem” que os inquisidores tinham absoluta certeza estar fazendo à alma dos “feiticeiros” e o “Bem” que os psiquiatras acreditam estar fazendo à mente de seus pacientes. Para Ravan, “se existe a loucura então somos todos loucos”.

Por Paula Varejão

*1:  Um dos últimos pintores góticos holandeses, conhecido por seus painéis enigmáticos ilustrando complexos temas religiosos com imagens fantásticas, geralmente cheias de demônios.

h1

Ae bro, vamo queimar um beck virtual?

Qua 16 Maio, 2007

Pois é, a possibilidade existe. Você pode “queimar”, “cheirar”, “injetar”, “ingerir” e outras formas de usos de drogas virtualmente agora. O i-doser , a droga binária, simula com sons o efeitos das drogas convencionais.

Funciona assim, o programa emite ondas sonoras que “sintonizam” o teu cérebro nas frequências que liberam as mesmas substâncias que as drogas. O cérebro, funciona normalmente numa frequência, o som que o i-doser produz altera essas frequências mandando dois sons diferentes ao teus ouvidos, quem usar para provar verá que o som parece uma tv sem sintonia e é isso mesmo. Esse barulho irritante se usado no tempo da dose te deixa “doidão” lá pela metade do tempo do arquivo e depois por alguns minutos (normalmente meia hora).

Para usar essa droga você terá de ter um fone de ouvido em mãos (ou melhor, nos ouvidos). Coloque o fone num volume médio e tente relaxar como se estivesse meditando, tente não desviar sua atenção com pensamentos (quem faz meditação pode conseguir mais fácil) e lá pelo décimo quinto minuto os efeitos da droga começará a aparecer.

E, segundo o site de quem produz o i-doser, existem pessoas que são mais resistentes a alterações na frequência cerebral, mas se usar da forma adequada (num ambiente tranquilo, relaxado ou deitado, com fones) funciona.

Eu sei que pode parecer engraçado a princípio, mas realmente funciona. Obviamente não é igual a usar uma real-drug, mas simula um bocado os efeitos das drogas reais. A vantagem é que não vicia e nem causa efeitos colaterais (só dor de cabeça se alguém usa com o volume de som muito alto).

PS: Eu particularmente testei o da cocaína, o da heroína e o do peyote (também conhecido como mescalina) e senti alterações sim. Mas não usei da forma correta, creio que se estivesse relaxado e não lendo um monte de coisas os efeitos seriam maiores.

PS2(não é o playstation): Para usar uma dose e depois outra tem de dar um intervalo de no mínimo duas horas pra resetar o teu cérebro, ou então, usar a dose de “reset” do cérebro pra frequência natural.

PS3: Existem doses grátis por ai na internet. I-doser no lugar mais visitado por nossa geração e você acha num minuto. =]

Por Daniel Vieira

h1

Entre o topo do mundo e o fundo do poço.

Sáb 12 Maio, 2007

O transtorno bipolar do humor.

Já se imaginou na situação de em um momento do dia estar sentindo-se o dono do mundo e algumas horas depois o subnitrato do resto do pó de merda?  Episódios de extrema euforia alternados com crises de depressão são o que caracterizam o distúrbio bipolar do humor.

As crises são caracterizadas por períodos diferentes de humor, ou um estado de mania (não é mania de ficar repetindo as coisas e sim mania de euforia, exagero, desinibimento, uma espécie de felicidade exarcebada)  ou um estado de depressão, com duração de tempo indefinida  em ambos os casos.

Muitas vezes os surtos de mania e depressão podem ser bem distintos e agravados, porém, apesar dessa ser a forma mais grave da doença, essa não é a que mais me chamou a atenção.

Na maioria dos casos essa doença é de difícil diagnóstico pois, em alguns dos seus casos, os sintomas podem ser confundidos simplesmente com a forma de ser da pessoa e não como uma doença exatamente. Para citar o caso que mais me intrigou:

“A terceira forma da doença bipolar do humor seria aquela conhecida como transtorno ciclotímico, ou apenas ciclotimia, em que haveria uma alteração crônica e flutuante do humor, marcada por numerosos períodos com sintomas maníacos e numerosos períodos com sintomas depressivos, que se alternariam. Tais sintomas depressivos e maníacos não seriam suficientemente graves nem ocorreriam em quantidade suficiente para se ter certeza de se tratar de depressão e de mania, respectivamente. Seria, portanto, facilmente confundida com o jeito de ser da pessoa, marcada por instabilidade do humor. “

Agora parando para pensar, quantas pessoas não são assim? Quantas pessoas sofrem dessa doença e não se tratam por acabar acreditando que realmente possuem uma personalidade instável e se prejudicam em seus relacionamentos, trabalho e vida graças a doença?

É um campo pantanoso ainda para os psicólogos e psiquiatras e ainda mais para a sociedade e para as pessoas que possuem a doença e, infelizmente, não se dão conta disso.

Por Daniel Vieira numa sexta-feira sem dinheiro matando o tempo postando no blog =]