Posts de Maio 16th, 2007

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18 de maio: Dia nacional de luta antimanicomial

Qua 16 Maio, 2007

Acompanhando as informações do post anterior, vamos comemorar o dia nacional de luta antimanicomial!!

Para você que não leu o textinho anteroir, O Movimento Nacional de Luta Antimanicomial (MNLA) é um movimento social disseminado por todos os estados do Brasil que tem como metas o fechamento de hospícios e manicômios do país e a promoção de uma cultura de tratamento, convivência e tolerância, no seio da sociedade, para as pessoas com sofrimento emocional de qualquer tipo.

A MNLA tem participado de iniciativas políticas de elaboração e discussão de Projetos Legislativos e, em âmbito executivo, de ações governamentais em tentativas de se criar políticas de saúde mental que prestem ao portador de transtornos psíquicos o respeito e cidadania que merecem. Mas ainda hoje há mais de 60.000 pessoas encarceradas em hospícios no Brasil, em condição de descaso e abandono, trancadas, mas não tratadas. Este grave desrespeito aos direitos humanos, como outros tantos em nosso país, passa longe da percepção do cidadão comum, pois não é notícia, mas continua enchendo os bolsos dos empresários da loucura. Se no início do movimento antimanicomial a imprensa teve um papel fundamental ao veicular histórias e imagens da barbárie que acontecia dentro dos muros do hospício, hoje tem contribuído para uma grande confusão de conceitos fora destes muros. Temos assistido paulatinamente a matérias que apresentam psicopatas como o “Maníaco do Parque” e o “Estudante do Cinema” como doentes mentais que apenas fomentam a desinformação e reforçam preconceitos que atingem milhões de portadores das mais diversas doenças mentais de natureza não agressiva e anti-social

A população em geral, incluindo-se aí as classes mais favorecidas, é carente de informação sobre como procurar ajuda em caso de uma crise emocional na família ou na comunidade, e a idéia da internação psiquiátrica ainda é a primeira que aparece como alternativa.
 
Assim, será organizado em São Paulo um grande ato público no dia 18 de maio, Dia Nacional de Luta Antimanicomial, no vão livre do MASP, na Avenida Paulista, a partir das 11h, que contará com a participação de diversos grupos artísticos ligados às formas substitutivas de atenção em saúde mental, bem como artistas, outros movimentos sociais e apoiadores em geral. O ato público terá o caráter de intervenção cultural, estética, política e sobretudo ética – propondo uma nova maneira de se relacionar com o outro, através do respeito, da solidariedade e da beleza, com o objetivo maior de a ampliar a visibilidade e o alcance do movimento e da cultura antimanicomial.
 
Maiores informações com Patricia Villas-Bôas pelo e-mail   patvillasboas@ig.com.br ou pelo fone (11)9154-4984.

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A cura da loucura ou a loucura da cura?

Qua 16 Maio, 2007

- Psicanálise e o movimento Antimanicomial - 

Nos últimos dez anos, o problema da instituição psiquiátrica tem sido discutido por diversos setores da sociedade brasileira. Tendo se iniciado com um posicionamento dos trabalhadores de saúde mental, em 1987 nasce o Movimento Nacional da Luta Antimanicomial, se posicionando no sentido de negar o manicômio como forma de tratamento e de propor novas alternativas terapêuticas ao indivíduo portador de transtornos psíquicos.

Michel Foucault (1926-1984), em seu História da Loucura na Idade Clássica (1972), cita um quadro de Hieronymus Bosch1 chamado A Cura da Loucura (1475-1480). O subtítulo, Extração da Pedra da Loucura, faz referência a um “recurso terapêutico” razoavelmente comum na Idade Média. Hoje, não se tenta “tirar pedras da loucura”, mas pode-se dizer que “joga-se pedras” na cabeça dos loucos com os tratamentos a base de neurolépticos (sedativos do Sistema Nervoso Central), eletrochoques (verdadeiros “curtos-circuitos” cerebrais), insulinoterapia (deixa o paciente em coma) e “em último recurso” a lobotomia, como se a morte, destino da maioria dos internos, não fosse o último recurso. Tem-se usado o fato de medicamentos tornarem a vida dos “doentes” mais tolerável como argumento de que existe uma causa orgânica para todos os males mentais. Mas, tais medicamentos apenas atuam sobre efeitos do efeito e na maioria dos casos apenas aliena mais ainda a personalidade do indivíduo quando não a nega totalmente, no caso da terapêutica do manicômio.

Ronald Laing, junto com Thomas S. Szazs, criou no início dos anos setenta uma linha de pensamento e abordagem sobre a chamada doença mental que questionava a psiquiatria tradicional. A esse movimento, que com o passar dos anos cresceu em número de adeptos dentro da psiquiatria, como também de opositores, deu-se o nome de “Anti-Psiquiatria”. Ela parte do princípio de que não existe, de fato, uma entidade clínica a que se possa chamar de doença mental. O paciente, chamado por Laing de “divergente social”, é punido por ser diferente e incomodar a razão da maioria. A questão entre a sanidade e a loucura seria mais de âmbito filosófico, e não clínico. Além disso, para Laing, o paciente esconde-se nesse comportamento, chamado doentio, para evitar o sofrimento que as circunstâncias de sua vida ou sua inabilidade para enfrentá-las impõe. O paciente, dessa forma, não seria apenas a figura passiva e motivo de piedade da sociedade, mas sim personagem principal, atuante na configuração desse comportamento diferente e alienado. Pode-se dizer que o cérebro cria seus meios de defesa para o que pode lhe dar algum desconforto. Alucinações e delírios podem ser esses meios.

Os anti-psiquiatras contestam o caráter patogênico. Foucault, por outro lado, era um teórico, um filósofo, nunca havia vivido entre os loucos, mas compartilhava com os anti-psiquiatras a idéia que os loucos não sofrem de uma doença, mas sim de opressão de uma sociedade que não os compreende.
“Para esses rebeldes, a loucura não era absolutamente uma doença, mas uma história: a história de uma viagem, de uma passagem ou de uma situação, das quais a esquizofrenia era a forma mais aperfeiçoada, porque traduzia em uma resposta delirante para o desconforto de uma alienação social ou familiar.”

Um nível além da discussão sobre Foucault e em conjunto com os anti-psiquiatras vem a possibilidade de cura da loucura. Quando se acredita que a loucura é um sintoma de uma alteração biológica inerente a pessoa, a cura é uma impossibilidade virtual. Concordamos que uma parte das pessoas com distúrbios psíquicos realmente sofrem uma alteração do Sistema Nervoso, quando esta é presente ou latente desde o nascimento. Nestes casos poderíamos até mesmo falar de cura, quando lembramos o quanto o cérebro pode ser desenvolvido e modelado pela aprendizagem. Talvez, então, não seriam tão inacessíveis assim a psicanálise e a (re)-construção psíquica de si mesmos.

Mas, tão ou mais importante que as alterações biológicas são os casos nos quais a psicose é uma reação do indivíduo a uma realidade sufocante e alienante. Nos estudos apresentados pelos anti-psiquiatras verifica-se que a chamada “doença mental” poderia ser muito bem compreendida como uma reação a um ambiente que poderíamos dizer mais “doente” que o “doente mental”. Podemos perceber aqui como esta reação é perfeitamente inteligível dentro do sistema e pode atuar como a “cura” de um processo anterior que poderia ser considerado patogênico. Certamente neste tipo de estudo a contribuição da psicologia sistêmica seria muito apreciada para se estudar o desenvolvimento do indivíduo e do microcosmo familiar enquanto sistemas.

A peça de teatro “Delírio”, escrita e dirigida pelo psicólogo Antonio Rayan, trata da real existência da doença mental e traça também um curioso paralelo entre a “moderna” psiquiatria e a “antiga” inquisição, mostrando uma certa semelhança no tratamento dos antigos “possuídos” e dos modernos “pacientes”. Mudaram-se os nomes mas o tratamento é o mesmo. A peça questiona a razão e o chamado “bem”. O “Bem” que os inquisidores tinham absoluta certeza estar fazendo à alma dos “feiticeiros” e o “Bem” que os psiquiatras acreditam estar fazendo à mente de seus pacientes. Para Ravan, “se existe a loucura então somos todos loucos”.

Por Paula Varejão

*1:  Um dos últimos pintores góticos holandeses, conhecido por seus painéis enigmáticos ilustrando complexos temas religiosos com imagens fantásticas, geralmente cheias de demônios.

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Ae bro, vamo queimar um beck virtual?

Qua 16 Maio, 2007

Pois é, a possibilidade existe. Você pode “queimar”, “cheirar”, “injetar”, “ingerir” e outras formas de usos de drogas virtualmente agora. O i-doser , a droga binária, simula com sons o efeitos das drogas convencionais.

Funciona assim, o programa emite ondas sonoras que “sintonizam” o teu cérebro nas frequências que liberam as mesmas substâncias que as drogas. O cérebro, funciona normalmente numa frequência, o som que o i-doser produz altera essas frequências mandando dois sons diferentes ao teus ouvidos, quem usar para provar verá que o som parece uma tv sem sintonia e é isso mesmo. Esse barulho irritante se usado no tempo da dose te deixa “doidão” lá pela metade do tempo do arquivo e depois por alguns minutos (normalmente meia hora).

Para usar essa droga você terá de ter um fone de ouvido em mãos (ou melhor, nos ouvidos). Coloque o fone num volume médio e tente relaxar como se estivesse meditando, tente não desviar sua atenção com pensamentos (quem faz meditação pode conseguir mais fácil) e lá pelo décimo quinto minuto os efeitos da droga começará a aparecer.

E, segundo o site de quem produz o i-doser, existem pessoas que são mais resistentes a alterações na frequência cerebral, mas se usar da forma adequada (num ambiente tranquilo, relaxado ou deitado, com fones) funciona.

Eu sei que pode parecer engraçado a princípio, mas realmente funciona. Obviamente não é igual a usar uma real-drug, mas simula um bocado os efeitos das drogas reais. A vantagem é que não vicia e nem causa efeitos colaterais (só dor de cabeça se alguém usa com o volume de som muito alto).

PS: Eu particularmente testei o da cocaína, o da heroína e o do peyote (também conhecido como mescalina) e senti alterações sim. Mas não usei da forma correta, creio que se estivesse relaxado e não lendo um monte de coisas os efeitos seriam maiores.

PS2(não é o playstation): Para usar uma dose e depois outra tem de dar um intervalo de no mínimo duas horas pra resetar o teu cérebro, ou então, usar a dose de “reset” do cérebro pra frequência natural.

PS3: Existem doses grátis por ai na internet. I-doser no lugar mais visitado por nossa geração e você acha num minuto. =]

Por Daniel Vieira