Posts de Junho, 2007

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Vivendo a loucura.

Qui 28 Junho, 2007

Descobri-me louco. Um daqueles sujeitos que há muito tempo perderam a razão. Talvez um daqueles que brincaram de ser Deus mas só conseguiram despertar o próprio Diabo em sí. Talvez só mais um entorpecido pelo insano.

Descobri-me louco. Minha lucidez já não existe. Confundo os sonhos com a realidade e nunca sei direito se o que está acontecendo é real ou mais uma peça encenada dentro de minha própria cabeça. Se essa continuidade entre um deitar e outro não são na verdade as horas que levanto quando acho que durmo e se o que eu tomo como realidade não é na verdade mais um sonho.

Descobri-me louco. Tanto que já não confio em minhas certezas. E a incerteza de ser me faz esperar algum lugar seguro para ir. Mas se a certeza é só uma miragem? Então os oásis da minha mente são todos falsos e já não existe onde eu me refugiar. Como num infinito deserto onde só exista a minha loucura para me guiar.

Descobri-me louco. Perdido entre os espaços em branco da minha memória. Já não me lembro o que eu exatamente fui, não tenho certeza do que sou e não faço a mínima idéia do que serei. De tudo restou apenas alguns fragmentos mas os quebra-cabeças da minha mente não se encaixam mais, trocaram as peças e esqueceram de avisar.

Descobri-me louco. E é como comer o mel, os favos e as abelhas. Consigo tudo mesmo não conseguindo nada. Crio meus mundos, minhas realidades, meus prazeres mas é tudo somente meu. E essa indivisibilidade é dolorosamente amarga.

Descobri-me louco. E somente sendo louco consigo ser. A sanidade fugiu de mim como um inseto foge de um repelente. E me restou a loucura, sórdida, cruel, mas continua sendo tudo que tenho e tudo aquilo que posso ser.

Descobri-me louco.. e agora não sei se há alguma outra forma de continuar.

Por Daniel Vieira.

Ps: Acabou a matéria de TPME! Agora o blog fica completamente por nossa conta(mas já era meio assim né?) =]

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Vida Virtual?!

Ter 26 Junho, 2007

Eu tava lendo o blog duns amigos meus e acabei caindo num post sobre um video game de sexo. Não vou mentir dizendo “nunca imaginei isso”, lógico, na minha mente nada puritana já pensei nessas possibilidades, mas o que assusta é que. com certeza, algumas pessoas substituem as vidas reais pelo “viver virtual”.

Ou você nunca conheceu um daqueles “gamemaníacos” que passam coisa de16-20 horas jogando direto, sem sair, sem estudar, sem comer direito? Sim, essas pessoas existem e cada dia mais a imersão virtual aumenta. Antes você podia passar algumas horas jogando o The sims, mas era um jogo solitário. Com a evolução da internet novos jogos surgiram, como o Second Life e lá você “interage” com pessoas de verdade, só que virtualmente.

Como o próprio nome do jogo diz: Segunda Vida. O problema é que acredito que num futuro não muito distante algumas milhares de pessoas irão substituir as suas “first lifes” e passarão a viver nesse mundo bizarramente virtual. O que me faz crer nisso é que quanto mais real o virtual fica, menos as pessoas “necessitam” do real. E como no mundo virtual a pessoa pode ser exatamente aquilo que ela deseja é realmente algo tentador.

Quando escrevo isso imagino aquelas pessoas tímidas, retraídas e que se soltam completamente na internet. Pessoas que buscam saídas nesses jogos, viver o que não vivem de verdade (agora tem até jogo pra virgens de 40 anos), pessoas que não conseguem ter uma “real-life” e optam assim por uma vida “virtual” para conseguirem obter algum prazer em estar vivo.

E não sei pq, mas isso me lembra Matrix…

Por Daniel Vieira

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Porque as pessoas mentem tanto?

Seg 25 Junho, 2007

Essa idéia pro post nasceu agora a pouco, numa conversa durante o almoço entre eu e minha mãe, que voltou a fazer faculdade agora, depois dos 40 anos. Então ela contava, enquanto eu comia, que tem uma colega de sala que mentia demais! Ela adorava tirar onda de milionária, contava várias histórias… No início, todo mundo até acreditava, mas com o tempo foi se percebendo que era muitaaa mentira!!!

As histórias começaram a ficar tão absurdas, que o pessoal da sala começou a desconfiar… Ela ia pra faculdade de van. Dizia que isso era por opção. O seu marido, segundo ela, insistia pra ir de carro com motorista, mas ela dizia que não queria humilhar o pessoal da sala chegando lá de motorista… hauahuahuahua! Ela falava que tinha uma mansão em Guarapari, aí se sugeria uma visita durante o verão, mas ela sempre inventava mais alguma coisa.. que ia viajar pra Europa e etc.

Mas a situação chegou a um ponto que um dia ela resolveu contar que em sua casa existia um closet só para o gato! Ai foi demais, era subestimar a inteligência do pessoal da sala! No final das contas, a sogra de uma das colegas tinha uma casa bem próxima à dela, e descobriu-se que a tal mentirosa morava era num casebre num bairro simples em guarapari, e, inclusive, quem pagava sua faculdade era um amante! Enfim, essa história me lembrou várias outras parecidas. Isso é bem comum até. Todo mundo conhece um mentiroso de carteirinha.

Geralmente está relacionado com dinheiro e vida social. Com o reconhecimento dos outros, a imagem que as outras pessoas têm de você. Mas a questão é que a pessoa mente tanto que acaba vivendo naquela mentira, ela própria acaba até acreditando nela também!

É claro que mentir é algo comum para o ser humano. Todo mundo conta uma mentirinha de vez em quando. Seja para não se indispor com alguém, seja pra evitar alguma discussão ou para sair por cima em alguma ocasião. Claro, mentir uma vez ou outra é normal, mas não é dessas pessoas que aqui me refiro. E sim aquelas que se escondem embaixo de uma capa de invenções.

Eu acredito que isso faz parte de uma fuga do ser humando. Ele gostaria de ser famoso, por exemplo, então faz com que todos acreditem que ele de fato é. Talvez, dessa forma, ele se sinta melhor, de alguma forma realizado. Virtualmente realizado.

Além disso, todos temem o fracasso. A sociedade nos cobra a todo o tempo sucesso. Um bom emprego, uma boa casa, bons filhos, um bom carro. Mas apenas uma minoria consegue isso, gerando assim uma multidão de fracassados. Entretanto, num teatro constante, todos são felizes, motivados e corretos, como diz Roberto Shiyashiki em entrevista à revista Época. Isso tudo acaba fazendo certas pessoas “pirarem”. Uma pessoa simples pensa não ser valorizada na sociedade devido à sua função social, então se esconde atrás de uma máscara, imaginando que, dessa forma, será mais bem aceita. Entretanto, muitas vezes está se ridicularizando sem perceber.

Mas as pessoas não fingem apenas a riqueza. Muitos também gostam de tirar uma onda de miserável para gerar pena nos demais. Enfim, as pessoas fingem diversas coisas. Fingem ser o que desejariam ser. Existe doido pra tudo. Mas, na minha opinião, mentir demasiadamente é doença e deve ser tratado no psicólogo. É difícil diagnosticar tal distúrbio e mais difícil ainda o indivíduo assumir o problema. Mas situações constrangedoras podem ocorrer caso a pessoa não veja que deva mudar.

Até porque esse negócio de mentir é complicado. Às vezes começa com uma mentirinha à toa, mas uma leva à outra e quando você vê já está completamente envolvido naquela coisa toda e não há mais como sair. Tem gente também que tem mania de mentirinhas. Mentem por causa de tudo. Coisas banais, que não fariam diferença alguma caso fosse dito a verdade. Mas não, mente-se pelo prazer de mentir. Isso pra mim também é loucura.

Muitas vezes a mentira pode tornar uma situação extremante mais confortável, mas ela simplesmente não vale a pena. A maioria das vezes o ônus da descoberta da verdade te leva a perceber que ela não vale a pena. Lembrem-se: Mentira tem pena curta!!!  :)

Bjos, 

Paula Varejão.

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Interesse.

Seg 25 Junho, 2007

Eu tenho percebido isso a muito tempo, é estranho. Tudo que fazemos é na espera de uma espécie de recompensa. Nada sai de graça. Até mesmo aquelas ações que são ditas “altruísmo”, filantrópicas são ações de mero esforço egoísta e de espera por recompensas (nem sempre materiais, mas recompensas).

Eu não percebo isso só em ações minhas, mas em ações de outras pessoas também. Pessoas que se aproximam querendo certas coisas, pessoas que te ajudam certa hora para num futuro próximo poder cobrar a ajuda dada por ela… Tudo no mundo é baseado em interesses, sejam eles sexuais, materiais, espirituais, políticos e ninguém parece fugir dessa lógica. Percebo isso desde ações simples e banais até ações estranhamente arquitetadas para atender aos interesses.

Sim, o que eu estou afirmando é que não existe no mundo nenhum ser pensante verdadeiramente altruísta. Somos uma pequena massa de seres egoístas, prontos a satisfazer nossos interesses, sejam lá quais forem, não importa como. Obviamente existem pessoas mais dispostas a esquecer os padrões, que chamamos, éticos para conseguir isso, mas todos, inclusive eu, queremos única e exclusivamente satisfazer nossa pequena máquina de desejos. E percebo também aquela velha máxima, “uma mão lava a outra” e vejo que ela é completamente válida e verdadeira. Eu não to problematizando nada, só acho interessante essa lógica do mundo. Nada sair de graça explica várias coisas que acontecem, as formas de agir das pessoas, o mundo como ele é.

E se perguntarem: Qual o seu interesse em escrever, quase todos os dias, nesse blog então? Satisfação pessoal, alguns comentários, visitas que aparecem lá, algum reconhecimento. Simplesmente uma coleção de INTERESSES.

Trocando em miúdos: Todos somos interesseiros.

Por Daniel Vieira

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Controle?

Sáb 23 Junho, 2007

Eu tava conversando com um amigo meu ontem e num ponto da conversa ele me disse uma coisa interessante que hoje me lembrei de postar aqui no Blog. Não tem muito a ver com a loucura, mas sim com a mente humana e com algumas coisas que já postei aqui.

Quando dizemos que fomos tomados pelo “instinto” ou “desejo”, ou qualquer coisa parecida com essa, nós realmente fomos tomados por essas “irracionalidades” ou tomamos a decisão de sermos controlados por elas?

Para ser mais claro, ele me disse exatamente isso: Você controla ou você é controlado, o porém é que a decisão de controlar ou ser controlado (pelos desejos, instintos, sentimentos, medos, etc) é única e exclusivamente sua. Sendo assim você tem a responsabilidade por suas decisões, tudo que você faz, sendo “irracional” ou “racional”, é derivado de uma vontade e escolha sua.

E depois de conversar isso com ele eu parei para pensar um pouco. O que seria melhor nessas duas opções? Controlar, ser racional, ver, analisar, observar, decidir, deixar os “instintos”, “desejos” de lado. Ou se jogar, gritar, dar gargalhada, jogar as fichas sem pensar, não medir conseqüências, e essas coisas?

Eu fiquei pensando, controlar ou controlado? É engraçado admitir isso, mas prefiro o controlado. Racionalidade demais esfria a vida. Tira o sabor. Medir conseqüências torna tudo muito sistemático e prefiro a imprevisibilidade do dia após o outro. Medir conseqüências destrói as boas surpresas já que a suposição pode estar errada e ninguém é vidente (e se alguém é, me passa o número da sena ai?).

Lógico, não sou o extremo irracional. Se fosse estaria preso por um milhão de motivos. Mas tentar ter o controle sempre é como brincar de Deus e evitar revira-voltas e é também negar a natureza animal do homem. É negar a satisfação para manter algo estabelecido.

Enfim, sejamos mais irracionais! A vida será muito mais divertida =]

Por Daniel Vieira

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Estado Terminal.

Qui 21 Junho, 2007

charge-estado-terminal.jpg 

Esta charge estava no blog do Vitor Vogas, que é da minha sala lá na UFES na matéria de jornalismo on-line. Seu blog, emvogas, é especializado em charges, que por sinal são muito boas – bem feitas, engraçadas e de acordo com que o que acontece na atualidade. Elas fazem críticas bem humoradas sobre alguns assuntos e esta em especial me chamou a atenção. Isso porque tem a ver com umas idéias que eu tenho sobre como o transporte coletivo no Brasil não funciona, e como seria bom se ele funcionasse.

Na verdade esse pensamento nasceu de uma conversa minha com minha amiga Raquel Julieta (ela odeia quando chamam ela de Raquel Julieta rs!) . E observe como faz sentido.

Pensa bem… Se o transporte coletivo no Brasil, mas mais especificamente falando de Vitória, funcionasse, todo mundo ia andar de ônibus! Imagina se houvesse pelo menos o dobro de ônibus nas ruas. Mais linhas. Pontualidade. Pontos de ônibus maiores, mais confortáveis, com maior segurança. Se tivesse lugar para todo mundo sentar. Cadeira acolchoada. Ar condicionado em todos os veículos. Se todos os ônibus se transformassem em seletivos que passam de 5 em 5 minutos pertinho da sua casa e te levam até o local desejado direto… Melhor ainda, se existisse um Metrô em Vitória (É, aquele que o nosso prefeito João Coser prometeu em sua campanha, mas ninguém nunca viu depois da eleição). Mas digo um que também funcione, com conforto e a agilidade.

Pois é, se tudo fosse assim, pra que as pessoas tirariam seus carros da garagem para ir ao trabalho ou à escola todos os dias? Se o transporte coletivo funcionasse, fosse confortável, seria bem melhor andar de ônibus do que de carro. Seriam inúmeras as vantagens:

  1. Economia. Primeiro, você gasta aí uns 20.000 pra comprar um carro razoável. Depois ainda tem a gasolina, o desgaste das peças – que precisarão ser trocadas, o risco de batidas (o que fará você desembolsar uma boa grana caso o acidente ocorra) . Se você quiser, pode fazer um seguro, que come pelo menos 100 reais por mês do seu orçamento. Sem contar os pedágios, que estão cada dia mais absurdos. Mas aí você deve tá pensando no dinheiro que gastará na passagem de ônibus. Claro que, mesmo ela sendo o preço que é hoje já há economia, mas no meu mundo ideal existiria o passe livre (de graça).
  2. Comodidade. Vai dizer que é preferível dirigir num trânsito infernal, passar horas do dia dirigindo, ficar lá passando marchas, se estressando, prestando atenção pra ver se vem carros nos cruzamentos, evitando batidas, levando fechadas, atento a todo o tempo… Ou relaxar no caminho, ler um livro ou uma matéria da faculdade, ou até mesmo tirar um cochilo enquanto o motorista te leva?
     
  3. Economia de tempo. Lembre-se daquelas horas procurando vaga no centro de Vitória…
  4. Melhoria no trânsito. Isso porque é um ciclo vicioso. Quanto mais motoristas nas ruas, mais horas se passa no trânsito, que já é uma loucura em alguns lugares e em horário de pico.
     
  5. Menos poluição. Quanto menos veículos, menor a emissão gazes poluentes

Enfim, são inúmeras as coisas que eu poderia ficar viajando aqui para convence-los da minha tese. Mas fiquei lá um tempão no se… se… e não saí do se. Isso porque o descrito acima é quase que uma utopia, pelo menos no Brasil. Em outros lugares do mundo o sistema funciona muito bem e é bastante utilizado por todos. Mas aqui já está enraizado o discurso de que “andar de ônibus é uma merda”.  Em nosso país andar de ônibus é sinal de falta de grana e não economia de tempo e dinheiro. Mas seria uma opção plausível a todos no mundo do se…

Em Vitória somos simplesmente escravos do Transcol. Andamos nele por não haver outra maneira de locomoção. Aí pega-se aquele ônibus abarrotadamente lotado, vai todo mundo esmagado em pé, um cherando o cecê do outro, aquele calor, gente passando mal, sem contar os perigos de assaltos. Ficamos horas no ponto esperando, os ônibus se atrasam com freqüência, algumas pessoas precisam pegar mais de dois coletivos para chegar ao local desejado e ainda andar mais um pedaço. É, andar de ônibus é uma verdadeira loucura, e a galera passa muito perrengue.

É exatamente essa situação desconfortável e insatisfatória que a charge procura passar de forma bem-humorada.

Eu não estou dizendo que, naquela situação utópica, não deve-se comprar carros. Carro é fundamental para passeios de fins de semana ou saídas à noite, por exemplo. Mas poderia ser algo facilmente substituível no dia-a-dia, caso, não deixo de frisar, o sistema de transporte coletivo funcionasse nas cidades.  

Por Paula Varejão

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Eremita.

Qui 21 Junho, 2007

Era só um quarto escuro. O chão frio já não incomodava, ele já havia se acostumado a aquele piso áspero e irregular talvez porque suas costas já estivessem a muito tempo calejadas por aquelas irregularidades do terreno. Ele queria sair, pensava freqüentemente em sair. “Mas para que?”. Aquele quarto era seu refúgio, sua cela, seu abrigo, sua prisão. E ele pensava em sair todos os dias. “Ver o sol mais uma vez, olhar o sol até que minhas retinas se queimem para sempre…”

Mas estava enclausurado. Ele já não se lembrava se aquela prisão tinha sido voluntária ou imposta, simplesmente se acostumou a ficar ali. Só. As suas únicas companheiras eram suas idéias, como vozes que lhe davam algo para acreditar. “É melhor assim!”- diziam as vozes em sua cabeça. “Aqui você não precisa esperar por ninguém, não precisa de ninguém e vê? Ninguém também precisa de você, senão já teriam te encontrado.”

Aquilo o deixava estranhamente confortável. Ter tudo e ao mesmo tempo não ter nada era pesado demais para ele. Muita carga para um homem tão fraco e egoísta. “Você só precisa de você mesmo” – repetiam as vozes dentro de sua cabeça. A sensação de não precisar mais agradar, felicitar e conquistar ninguém. Era tudo que ele fazia antes. Criando uma identidade para ser o que ele não era e no final ele não era nada. Falsos amigos, falsos amores, vitórias desprazerosas.

Ele desistiu do mundo. Cansou-se de tudo aquilo. Ter esperança era doloroso, frustrante e eram suas frustrações que o matavam aos poucos. Mas ele ainda desejava ver o sol. Depois de muito ponderar, levantou, e andou lentamente até a porta. Ao abrir ele se ofuscou por alguns segundos e quando olhou para fora viu um clima nublado, escuro e cinza. Então a porta se fechou.

Era só um quarto, era só um homem mas naquele quarto, ele era o que era. E não precisava mais de ninguém. Só das suas vozes, só da sua loucura, só da sua solidão.

Por Daniel Vieira

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Pensamento.

Seg 18 Junho, 2007

Pensamento:
Linha tênue que se rompe
E deixa o vazio
E num momento
Tudo some.

Pensamento:
Briga entre meus eus
E deixa seqüelas
E com o tempo
A loucura impera.

Por Daniel Vieira

Eu não sei se é assim com todo mundo, mas meu padrão de pensamento é estranho. Eu sempre tive mania de ligar fatos uns aos outros (acho que até por isso escrevi sobre o aleatório). De dar risada por conta da lógica absurda do mundo e das coisas acontecerem como acontecem.

Eu vejo o pensamento quase como uma batalha entre os vários “eus” da pessoa, o eu do controle, o eu da loucura, o eu do instinto e o eu do prazer. Esses “eus” ficam numa luta de poder dentro da cabeça e vez ou outra o “eu” mais forte perde o poder e a sua forma de ver as coisas muda, assim como a forma de agir e querer. Óbvio, as vezes isso é só momentâneo por circunstâncias adquiridas (bebida por exemplo), outras vezes dura algumas semanas até o eu do controle voltar a ativa por circunstâncias aleatórias. Mas as atitudes não são sempre as mesmas, o pensamento é variável devido aos eus existentes.

Lógico, brincando de ser um bom entendendor da mente humana (coisa que eu sei que não sou), os “eus” variam de pessoa para pessoa. Esses que citei eu acho que são os meus (deve ter mais… ou não) mas eu vejo as pessoas aos poucos travando as batalhas dos seus eus, ficando confusas, e as vezes mundando completamente as suas atitudes, mas se for parar para observar por mais tempo percebe-se que aquela “fase” volta e meia reaparece, então não é exatamente uma fase, e sim, um estado que eu acredito ser natural.

Claro, isso é completamente diferente de sindrome bipolar! Não me interpretem erradamente. Mas o pensamento é algo que é estranho. É complexo na sua inconstância e simples na sua forma de ser. Pensamentos simplesmente vem e vão. Mas o engraçado neles é exatamente as formas como eles agem dentro da gente. =p

Por Daniel Vieira

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Internet. A loucura do controle disfarçado de liberdade.

Seg 18 Junho, 2007

Na aula de jornalismo On line ministrada pelo professor Fábio Malini, a turma foi apresentada a duas perguntas que se completam e se contradizem, como forma de avaliação.
Por que a Internet é uma mídia de multidão?
Por que a Internet é uma mídia de controle da vida?
Boas perguntas que nos levam a uma grande reflexão. Afinal de contas, qual das duas faz mais sentido e predomina no mundo midiático?

A uma observação superficial imaginei que a primeira tem muito mais a ver com o mundo digital atual. A idéia de multidão, muita gente conectada, milhões de pessoas em contato a todo tempo, de todos os lugares do mundo, liberdade de pensamento, liberdade de expressão, liberdade de escolha – do que você quer ver, a hora que quer ver, do jeito que quiser ver – liberdade até mesmo pra contar umas mentirinhas… Entretanto, ao prestar bastante atenção ao tema, chegamos à conclusão de que quando essa carapuça de liberdade cai, o que vem a tona é a “era do controle” na qual vivemos.

Primeiro vamos ao conceito de multidão. De acordo com Antonio Negri em seu discurso sobre A Constituição do Comum, quando falamos de multidão falamos de um conjunto de singularidades cooperantes. Cabe aqui a distinção entre singularidade e individualidade – o que muitos imaginam que seja a mesma coisa, mas existe uma grande diferença. Individualidade não constitui multidão, e sim massa, conceitos também distintos, pelo incrível que pareça.

Individualidade significa algo que está inserido numa realidade substancial, absoluta, algo que tem uma alma, uma consistência, por separação em relação a uma totalidade, em relação ao conjunto. Individualidade é a identidade irredutível. É o indivíduo massificado pelos meios de comunicação, vindo da relação “um muitos” (como é a TV), relação essa sincrônica e disciplinar (docilização dos corpos).  Ele é manipulado e seus gostos e preferências são basicamente iguais a todos os demais, doutrinados por uma força maior, a mídia. Massa é a soma de individualidades, individualidade é repetição.

A multidão não é assim, nela vivemos com os outros. É constituída da singularidade, em que o homem constrói sua personalidade, seus pensamentos por meio desta relação de cooperação e diferença. Sem o outro ele não existe em si mesmo. A multidão é própria do ciberespaço, em que não existe a relação “um-muitos” da TV, e sim uma relação “muitos-muitos”.

O professor Fábio Malini sempre exemplifica isso de forma simples: a maior comunidade do Orkut (que atualmente é “Eu Odeio Acordar Cedo”) tem quase 3 milhões de integrantes, numero ínfimo quando comparado ao pico de audiência da rede globo, que chega a ter 80% da audiência do Brasil, o que só na grande São Paulo representa 5 milhões de pessoas. Isso quer dizer que na internet não existe um ponto irradiador de informações e um exército simultâneo que assiste aquela mesma informação definida. Portanto, na internet não há manipulação, e sim uma multiplicidade de informações, muitas vezes construída pelos próprios usuários, por meio da interação entre eles, como é o caso de programas como Orkut, Wikipédia e You Tube. Os próprios usuários produzem o conteúdo e, teoricamente, podem escrever o que bem entenderem, sem restrições. Podem expor seus pensamentos, seus sentimentos. Pode falar da textura da meleca que sai do seu nariz se você quiser.

Isso tudo traz uma sensação muito grande de liberdade. Realmente a Internet é uma mídia de multidão, onde uns interagem com os outros (singularidades cooperantes) de maneira livre e há uma completa diversidade de pensamentos. Inclusive, a própria internet foi construída dessa forma, por meio da interação dos hackers que foram criando em conjunto um software livre, fazendo uso da colaboração voluntária, aberta e auto-organizada entre programadores do mundo inteiro. O espírito hacker consiste na recusa de idéias de obediência, de sacrifício e de dever, e eles não são apenas meros espalhadores de vírus pela rede, como ficaram conhecidos pejorativamente.

Mas vamos agora pensar nessa rede de relações abertas de maneira mais profunda. Para isso vamos analisar a rede de relacionamentos do Orkut, mais especificamente. Será mesmo que ele representa liberdade?

Pelo Orkut você consegue saber sobre tudo na vida de uma pessoa. Se ela namora ou não, quem são seus amigos, do que ela gosta, lugares que freqüenta, onde foi noite passada, onde irá passar carnaval e até mesmo se cortou o cabelo recentemente. Isso por meio das fotos, comunidades e recados lá presentes. Não só presentes no seu orkut, mas também nos dos seus amigos, onde podem estar fotos ou conversas relacionadas a você. Então, existe uma forma de controle maior do que o Orkut? Logo quando eu abro a minha página principal do programa ele me alerta que lá eu estou conectada com 57.431.788 pessoas, ou seja, posso estar sendo controlada diariamente por todas elas. O Orkut é sinônimo e exposição, o que proporciona o controle. 

Vamos supor que um empreendedor quer montar um negócio em Vitória. Uma boa forma de pesquisa é procurar as comunidades de Vitória no Orkut e lá ver pelo que os integrantes delas se interessam.

No blog, se você quiser seguir seu conteúdo pela audiência, você tem como rastrear de que forma as pessoas chegaram a sua página. O que ela procurou no Google que caiu ali. Então existe um ranking que exibe o que as pessoas procuram mais. Isso também é controle. E é bom lembrar que você não está completamente anônimo na rede. Qualquer “merda” que você faz no ciberespaço pode ser rastreado. Pode ser encontrado de qual computador aquilo foi feito… Onde está a liberdade plena?

Iclusive é notório que o Google domina o ciberespaço. Em um artigo de Paulo Coelho, é observado algo interessante. Se digitarmos “Tiananmem Square” em qualquer lugar do mundo, e formos direto para imagens, teremos a famosa confrontação do homem com suas sacolas diante dos tanques de guerra. Mas o Google fez um acordo com a China, para poder entrar com seu mecanismo de busca no país. Portanto, se digitarmos usando o www.google.cn, a primeira imagem é de um casal da embaixada americana. A reputação da praça permanece intocável, graças ao mecanismo de busca que tratou de filtrar aquilo que não lhe interessava. Portanto, quem detém o poder da reputação hoje é quem detém o filtro… Então, onde está a liberdade da internet?

Tianasquare.jpg

Se você é um simples mortal e está numa praia. Lá você encontra aquela grande estrela da mídia num comportamento excessivamente íntimo com o namorado. Filma isso e põe no You Tube. Em um dia milhões de pessoas já viram esse vídeo em todo mundo e sua reputação está arrasada. Isso é controle. Mas, mais controle ainda, é o tal vídeo depois ser proibido de estar lá.

Mas, na minha opinião, isso tudo simplesmente segue uma tendência pós-moderna dessa nova Revolução tecnológica. Estamos na era do controle, em que nem um simples passeio pelo calçadão torna-se livre de qualquer regulação. No livro “A reputação – na velocidade do pensamento” de Mário Rosa, ele fala que, devido ao aumento da criminalidade, a polícia do Rio de Janeiro instalou 16 câmeras em pontos estratégicos da orla de Copacabana.
“Seja você um industrial que queira se encontrar com um concorrente, as autoridades que zelam pela defesa econômica podem ver no seu contato um indício de formação de cartel. Seja você um artista ou esportista que tenha conhecido na infância alguém que enveredou pelo tráfico de drogas, esse contato poderá arruinar sua imagem caprichosamente esculpida ao longo de anos. Seja você um político em um contato impróprio pode decretar o fim de sua carreira. Seja você, por fim, uma pessoa comum e alguma coisa que você possa fazer, ou alguém que você possa encontrar, pode se transformar no início de uma grande dor de cabeça”.

Imagine como isso faz sentido, como realmente somos vigiados a todo o momento. É como aquela teoria do panótipo – existe uma torre que tem vista para todo o ambiente, mas você não sabe se ela está olhando pra você no momento. Entretanto, nessa dúvida, sente-se controlado, e por isso segue as regras. A cada dia, fica mais fácil o registro de qualquer movimento. Câmeras digitais portáteis, celulares que filmam e tiram fotos com ótima qualidade. Com um clique e um cabo USB você transmite um momento inoportuno para o resto do mundo por meio da internet!

Vivemos hoje envolvidos numa teia de tecnologia tão disseminada que muitas vezes nem nos damos conta disso, principalmente nos hábitos mais banais de nosso dia-a-dia. O orkut segue as tendências modernas de regulação e controle dos indivíduos.  Assim, preservar a imagem e a reputação significa percorrer um território social cada vez mais hostil e complexo.

Por Paula Varejão

P.S.: Parece que aqui no brasil não te cmo fazermos esse teste. É, eu também tentei. é poque quando digitamos o endereço com o final “cn” ele é direcionado para a página do Google brasileiro com final “br”. Isso faz com que não consigamos acessar a foto do casal a partir do Brasil.

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Internet, Multidão e Controle.

Dom 17 Junho, 2007

Isto é um POST PROVA.

O surgimento das mídia INTERNET mudou completamente os conceitos tradicionais de emissão e recepção de informação, visto que, na internet não existe um ponto central que emite a informação (e milhões recebem a informação) e sim existe uma “multidão” promovendo trocas de informações num regime quase anárquico. Todos produzem, todos recebem. Não existindo o ponto central de irradiação da informação a multiplicidade de informações se torna evidente e assim as pessoas se vêem num novo modelo de comunicação. Enfim, onde cada um se torna produtor/receptor ao mesmo tempo o mecanismo que anteriormente funcionava em mídias como a TV se perde, as forças se dispersam e assim a multidão se torna evidente. Todo mundo produzindo e recebendo tornam-nos aparentemente anônimos (o conceito de multidão se dá também pelo anonimato), sendo assim temos liberdade para agir, pensar e propagar informação sem nos preocupar com punições. Porém a internet dá apenas uma falsa sensação de anonimato. Nela, por acreditar que estamos invísiveis no meio da multidão, agimos de forma livre. Agindo de forma livre nos expomos. A exposição é vigiada, porém não por um orgão responsável por isso e sim por vários olhos também invísiveis dentro da multidão, o exemplo mais claro disso é o Orkut, porém foruns de internet, listas de e-mails também servem de exemplo. Você abre a sua vida e por acreditar no ideal de multidão/anonimato acaba tendo a vida parcialmente controlada por outros. Quando li a pergunta me veio a idéia de Panótico de Foucault, porém sem a visão de que exista alguém te vigiando. Você deixa rastros, e os vários “panóticos invisíveis” vão traçando seu perfil a partir, usando o exemplo do orkut, das suas comunidades, dos seus recados, do seu grupo de amigos.

Por Daniel Vieira.