Posts de Junho 1st, 2007

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Vidas Banais.

Sex 1 Junho, 2007

Eu tava aqui, depois de ler o post da Paula, matutando pensando no quanto é banal a vida hoje em dia. Somos uns bilhões no mundo, uns milhões no Brasil mas conseguimos nos individualizar no meio dessa massa toda?

Não, eu não to com vazio existencial, simplesmente não vejo individualidade nesse “coletivo”. É o mundo da moda, dos conceitos pré-fabricados, das velhas idéias recicladas e colocadas numa embalagem com boa aparência. Mas e ai? Qual objetivo? Alguns podem me responder “ah, casar, ter filhos e constituir família”, outros com “construir um patrimônio” e até aquele clichê “ter o nome lembrado no futuro”. E quem não tiver nenhuma dessas opções acima e nenhuma considerada “normal”. E quem não quiser ter nenhuma dessas padronizações?

As vezes eu considero a vida uma banalidade. Como um grande filme sem roteiro que os personagens não vão de um lugar para o outro mas ficam repetindo as ações e falas de filmes anteriores para num fim estarem sem ter feito nada para além, só repetições, repetições e um pouco mais de repetições.

Tudo bem, podem falar que isso é baseado em Nietzsche, apesar de eu ter lido muito pouco dele e acabar bebendo mais na fonte dos meus próprios devaneios, sim, isso lembra o Nada Nietzscheano. Mas não é só questão de “transvalorar” como disse umas vinte milhões de vezes o professor de filosofia. É questão de objetivo. Não é só questão de niilismo. É questão de não ser banal.

Ou você acredita mesmo em seus objetivos? Eles são seus? Tem certeza que não é o desejo que o “coletivo” colocou na sua cabeça? Mais dinheiro, sucesso, família, filhos sem isso você não pode ser “feliz”. Já parou pra reparar também que nascemos, vivemos e quando chegamos perto do final não sabemos exatamente o que valeu ou não a pena ter feito e as vezes não sabemos nem dos pqs de ter feito.

Eu e meu irmão, uma vez, discutiamos sobre reprimir instintos. Na época discordei dele, talvez por estar numa fase meio “lei e ordem”, mas será mesmo que as regras não só enjaulam as pessoas como também destroem a validade das coisas? Voltando a filosofia, “onde tudo é valido não temos nada”, mas é tudo válido? Ou será que nada é realmente válido e só achamos que existe validade em fazer qualquer coisa? Voltando ao início do post, os conceitos pré-fabricados não seriam então as validades que achamos que temos?

As vezes fico vendo dentro do ônibus, dezenas de pessoas que vivem como formigas operárias. Acordam as 6 se arrumam, tomam café (ou não), pegam um onibus e ficam nele por quase duas horas, trabalham e depois mais duas horas para voltar até em casa. O que essas pessoas fizeram de construtivo? Nada, trabalharam, não construiram nada para eles, não acrescentaram nada na vida deles, mais um dia banal, sem que se adicione nada.

É isso que chamo de banal, não temos um motivo palpável. É como ser jogado na vida e ficar sem um propósito fundamental, só passamos por ela e não acrescentamos nada. Se morrer, morreu, menos uma vida mas nada além de estatística, nada além de um número.

O graça é que, realmente, é tudo banal. Inclusive esse post.

Por Daniel Vieira