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Paixão ou egoismo?

Ter 5 Junho, 2007

Uma bala no revolver,
O tambor gira devagar
Uma bala no revolver,
E então? Vamos brincar?

Um dedo no gatilho,
Um estalo totalmente seco
E eu observo de tão perto
Que apenas parado eu fico.

Mais uma bala no revolver
Mais um giro,
Quer brincar comigo?
Esse jogo de morte?

Mais um estalo seco
Mais uma bala no revolver
Vejo nos seus olhos o desespero
Mas já não escuto seus apelos.

E então, vai querer brincar?
Um único dedo no gatilho
Você não quer brincar comigo?
Por que este estranho olhar?

Mais um giro, mais um estalo
Você quer continuar?
O que diabos está errado?
Você quer brincar?

Mais uma bala no revolver
Quem sabe agora vamos acabar
Já estou cansado de falhar
Talvez esse ultimo giro resolve
E nós não poderemos continuar.

Mais um estalo, nenhum outro barulho
Mais um estalo,
Mais uma bala no revolver
E então vamos brincar!

Por que você começou a chorar?
Por que as lágrimas minha querida?
Você ainda quer brincar?
Esse é o grande jogo da vida!

O ultimo giro,
Um único tiro,
O ultimo estalo,
Um único suspiro.*

Daniel Vieira de Figueredo

Eu tava lendo umas matérias antigas sobre o Pimenta Neves e fiquei pensando: O que leva uma pessoa a matar a pessoa que ele diz amar?

Os crimes passionais normalmente ocorrem logo após uma traição, um abandono, ou uma sensação da possibilidade da perda da pessoa amada. Mas o que é esquisito que a morte da pessoa não a manteria ao seu lado. Creio então que o ato de cometer o assassinato seja um ato de egoismo, onde você se privaria de não ter quem você deseja mas também não existiria mais a possibilidade dela construir um novo relacionamento. Sim, bem naquele estilo “não é meu? Não é de ninguém”.

O que me intriga é se depois de matar a pessoa os assassinos se arrependem, se culpam ou idealizam que num “breve futuro” reencontrarão o ser amado num “outro mundo”. Ou até o mais bizarro, jogam a culpa toda sobre quem morreu como forma de dizer “se morreu a culpa foi sua”.

Por Daniel Vieira

*Não, eu nunca pensei em matar nenhuma garota amarrada com um tiro na cabeça. Fiz esse poema numa brincadeira com um amigo meu de SP quando conversavamos sobre cenas violentas e visualizei essa cena mentalmente. Não vejo por onde passa a paixão/amor numa cena dessas também, mas apesar de absurda a cena pode acontecer… Tem doido pra tudo!