
“Homenagem” ao dia dos namorados…
Qua 13 Junho, 2007Em sua face
Sou apenas uma grande interrogação incrustada no chão deste mundo. Mas do que me adianta se não faço a mínima idéia do que isso significa? Na verdade, se nem eu sei quem sou, que dirá os outros. Talvez eu tenha buscado me esconder dentro desses panos escuros, desses sonhos distantes, desses poemas medíocres… tudo por que eu sei que nem quem eu mais amo, algum dia, vai me amar. Mas quem liga? Quem liga? Quem?!
Os gritos eram ouvidos como um escárnio na noite. Os prédios, sujos, manchados pelo tempo, eram as únicas testemunhas da loucura daquele jovem garoto. Seu cabelo bagunçado e suas roupas imundas provavam o que se via em seus olhos: o desleixo pela vida, a falta de desejo pelo presente e a desesperança de algum futuro. Era apenas isso que se conseguia ver naquele rapaz. Mas não era isso que o tornava tão repugnante. Havia algo mais. No seu olhar, um estranho desespero se mesclava com loucura e sujeira, fosse em forma de lágrimas ou da falta de chama em seus olhos. Mas o que o tornava mais asqueroso era o seu próprio desprezo. Desprezava-se por ser tão desprezado pelos outros, por ter desistido de amar, por que a pessoa que ele tanto amava não correspondia a esse sentimento.
Suas pernas cansadas, de tanto correr em círculos, desabaram diante do tamanho de sua dor. Sangue, lágrimas, suor, soluços e gritos, tão ensurdecedores que até os pássaros sonolentos acordaram. Do que adiantou tudo isso? Socava freneticamente o chão. De que adiantou tudo o que eu senti? De que adiantou?!
Sangravam suas mãos tamanha era a força com a qual batia no chão. Parecia querer se destruir, e nada além disso, nada de transcendência, ou passagens para algo melhor. Simplesmente queria destruir tudo, por dentro e por fora, não importava o quanto aquilo doesse, pois a dor que sentia em seu coração era maior.
Queria se levantar, mas se sentia pesado. Então viu que a única rota que poderia seguir era a contrária. Se cair era fácil, então que caísse sem resistências. Sendo assim, ele se largou. O corpo estirado no chão parecia o de um defunto, com o olhar fixado no nada. Respiração fraca e lenta. Não era possível notá-la. Uma finíssima chuva começou a cair e se misturou com as últimas lágrimas que se viam naquele rosto. Ele parecia morto, mas, na verdade, aquilo era apenas uma brisa antes da grande tempestade. Ele tentava se lembrar quem realmente era, o que realmente foi e o que poderia tentar ser.
As imagens ficavam vagando diante dos seus olhos. Não via onde estava deitado ou sequer que ele estava ensopado pela chuva. Via coisas que o fazia lembrar que nunca fora nada de importante para alguém, que nunca fizera nada de importante para alguém. Via que, na verdade, era alguém que não seria lembrado nas histórias de ninguém, via que não fazia nenhuma diferença. Percebeu o que há muito deveria ter percebido: ele era um nada. E não importava o quanto se esforçasse para tentar encontrar, em sua memória, algo que lhe desse uma nova esperança na vida. Aquilo que ele procurava não existia. A única coisa que vinha em sua cabeça é que sempre tinha tentado ser o melhor possível naquilo que fazia, mas nunca conseguia. Era apenas um mero derrotado em meio a tantos que lhe pareciam vencedores, um desgraçado em meio aos milhares de abençoados, um desalmado no meio das mais belas almas.
As lágrimas que corriam em seu rosto manchado pelo tempo e pela dor eram suas únicas companheiras naquele surto de realismo. A ilusão de que tudo tinha uma solução se perdeu junto a visão da realidade. Ele, sozinho, jurou que aquilo iria acabar. E finalmente acabou…
Durante a manhã, o corpo estirado no chão. O sangue, já parcialmente coagulado, havia saído daquela pessoa que parecia estar feliz. Finalmente, tinha conseguido a liberdade. A alma estava finalmente livre e nada mais poderia prendê-la. Se Deus ou o Diabo o haviam carregado não conseguimos saber. Mas aquele sorriso, estranhamente estampado em sua face, era o sinal do fim da tortura que sofreu aquele pobre desgraçado.
Por Daniel Vieira
PS: Tem alguns anos que escrevi esse texto, eu ia lançá-lo numa coletânea de contos mas acabei desistindo por conta dos termos que a editora propôs. Enfim, acabou que escrever pra mim virou só mais um passa-tempo.
PS2: O que esse texto tem com dia dos namorados? Não sei, fala um pouco de amor enlouquecido por conta de não realização. Auto-destruição e essas coisas também fazem parte do imaginário “romântico”.
Nossa quantos amores que não vemos hj em dia, que de uma coisa tão bonita e pura se transforma em loucura, obcessão. Não mais sentimento. Aquele sentimento de posse, aquela coisa de brigas intermináveis, ofensas, humilhações…
Galera nesse dia dos namorados venho lembrar que namorar é algo que optamos, sim temos o poder de encolha. Portanto é algo que deve te proporcionar felicidade e bem estar. A partir do momento que esse relacionamento se torna um tormento, existe mais stress que alegria, hora de cair fora urgente!!
Existe até aquela expressão, “sou louco por ela” que é o mesmo que dizer que é apaixonado. Uma pessoa apaixonada realmente faz loucuras, e uma pessoa loucamente apaixonada torna-se perigosa, por descontrolar-se caso algo saia errado…
Quantos são os casos de espancamentos, homem que mata a amada (ou o contrário), suicídios. O amor exagerado, como tudo na vida em exesso, também pode fazer mal.
É precido ter cuidado onde vc se mete! Em todos os sentidos…
Por Paula Varejão