Esta charge estava no blog do Vitor Vogas, que é da minha sala lá na UFES na matéria de jornalismo on-line. Seu blog, emvogas, é especializado em charges, que por sinal são muito boas – bem feitas, engraçadas e de acordo com que o que acontece na atualidade. Elas fazem críticas bem humoradas sobre alguns assuntos e esta em especial me chamou a atenção. Isso porque tem a ver com umas idéias que eu tenho sobre como o transporte coletivo no Brasil não funciona, e como seria bom se ele funcionasse.
Na verdade esse pensamento nasceu de uma conversa minha com minha amiga Raquel Julieta (ela odeia quando chamam ela de Raquel Julieta rs!) . E observe como faz sentido.
Pensa bem… Se o transporte coletivo no Brasil, mas mais especificamente falando de Vitória, funcionasse, todo mundo ia andar de ônibus! Imagina se houvesse pelo menos o dobro de ônibus nas ruas. Mais linhas. Pontualidade. Pontos de ônibus maiores, mais confortáveis, com maior segurança. Se tivesse lugar para todo mundo sentar. Cadeira acolchoada. Ar condicionado em todos os veículos. Se todos os ônibus se transformassem em seletivos que passam de 5 em 5 minutos pertinho da sua casa e te levam até o local desejado direto… Melhor ainda, se existisse um Metrô em Vitória (É, aquele que o nosso prefeito João Coser prometeu em sua campanha, mas ninguém nunca viu depois da eleição). Mas digo um que também funcione, com conforto e a agilidade.
Pois é, se tudo fosse assim, pra que as pessoas tirariam seus carros da garagem para ir ao trabalho ou à escola todos os dias? Se o transporte coletivo funcionasse, fosse confortável, seria bem melhor andar de ônibus do que de carro. Seriam inúmeras as vantagens:
- Economia. Primeiro, você gasta aí uns 20.000 pra comprar um carro razoável. Depois ainda tem a gasolina, o desgaste das peças – que precisarão ser trocadas, o risco de batidas (o que fará você desembolsar uma boa grana caso o acidente ocorra) . Se você quiser, pode fazer um seguro, que come pelo menos 100 reais por mês do seu orçamento. Sem contar os pedágios, que estão cada dia mais absurdos. Mas aí você deve tá pensando no dinheiro que gastará na passagem de ônibus. Claro que, mesmo ela sendo o preço que é hoje já há economia, mas no meu mundo ideal existiria o passe livre (de graça).
- Comodidade. Vai dizer que é preferível dirigir num trânsito infernal, passar horas do dia dirigindo, ficar lá passando marchas, se estressando, prestando atenção pra ver se vem carros nos cruzamentos, evitando batidas, levando fechadas, atento a todo o tempo… Ou relaxar no caminho, ler um livro ou uma matéria da faculdade, ou até mesmo tirar um cochilo enquanto o motorista te leva?
- Economia de tempo. Lembre-se daquelas horas procurando vaga no centro de Vitória…
- Melhoria no trânsito. Isso porque é um ciclo vicioso. Quanto mais motoristas nas ruas, mais horas se passa no trânsito, que já é uma loucura em alguns lugares e em horário de pico.
- Menos poluição. Quanto menos veículos, menor a emissão gazes poluentes…
Enfim, são inúmeras as coisas que eu poderia ficar viajando aqui para convence-los da minha tese. Mas fiquei lá um tempão no se… se… e não saí do se. Isso porque o descrito acima é quase que uma utopia, pelo menos no Brasil. Em outros lugares do mundo o sistema funciona muito bem e é bastante utilizado por todos. Mas aqui já está enraizado o discurso de que “andar de ônibus é uma merda”. Em nosso país andar de ônibus é sinal de falta de grana e não economia de tempo e dinheiro. Mas seria uma opção plausível a todos no mundo do se…
Em Vitória somos simplesmente escravos do Transcol. Andamos nele por não haver outra maneira de locomoção. Aí pega-se aquele ônibus abarrotadamente lotado, vai todo mundo esmagado em pé, um cherando o cecê do outro, aquele calor, gente passando mal, sem contar os perigos de assaltos. Ficamos horas no ponto esperando, os ônibus se atrasam com freqüência, algumas pessoas precisam pegar mais de dois coletivos para chegar ao local desejado e ainda andar mais um pedaço. É, andar de ônibus é uma verdadeira loucura, e a galera passa muito perrengue.
É exatamente essa situação desconfortável e insatisfatória que a charge procura passar de forma bem-humorada.
Eu não estou dizendo que, naquela situação utópica, não deve-se comprar carros. Carro é fundamental para passeios de fins de semana ou saídas à noite, por exemplo. Mas poderia ser algo facilmente substituível no dia-a-dia, caso, não deixo de frisar, o sistema de transporte coletivo funcionasse nas cidades.


