Essa idéia pro post nasceu agora a pouco, numa conversa durante o almoço entre eu e minha mãe, que voltou a fazer faculdade agora, depois dos 40 anos. Então ela contava, enquanto eu comia, que tem uma colega de sala que mentia demais! Ela adorava tirar onda de milionária, contava várias histórias… No início, todo mundo até acreditava, mas com o tempo foi se percebendo que era muitaaa mentira!!!
As histórias começaram a ficar tão absurdas, que o pessoal da sala começou a desconfiar… Ela ia pra faculdade de van. Dizia que isso era por opção. O seu marido, segundo ela, insistia pra ir de carro com motorista, mas ela dizia que não queria humilhar o pessoal da sala chegando lá de motorista… hauahuahuahua! Ela falava que tinha uma mansão em Guarapari, aí se sugeria uma visita durante o verão, mas ela sempre inventava mais alguma coisa.. que ia viajar pra Europa e etc.
Mas a situação chegou a um ponto que um dia ela resolveu contar que em sua casa existia um closet só para o gato! Ai foi demais, era subestimar a inteligência do pessoal da sala! No final das contas, a sogra de uma das colegas tinha uma casa bem próxima à dela, e descobriu-se que a tal mentirosa morava era num casebre num bairro simples em guarapari, e, inclusive, quem pagava sua faculdade era um amante! Enfim, essa história me lembrou várias outras parecidas. Isso é bem comum até. Todo mundo conhece um mentiroso de carteirinha.
Geralmente está relacionado com dinheiro e vida social. Com o reconhecimento dos outros, a imagem que as outras pessoas têm de você. Mas a questão é que a pessoa mente tanto que acaba vivendo naquela mentira, ela própria acaba até acreditando nela também!
É claro que mentir é algo comum para o ser humano. Todo mundo conta uma mentirinha de vez em quando. Seja para não se indispor com alguém, seja pra evitar alguma discussão ou para sair por cima em alguma ocasião. Claro, mentir uma vez ou outra é normal, mas não é dessas pessoas que aqui me refiro. E sim aquelas que se escondem embaixo de uma capa de invenções.
Eu acredito que isso faz parte de uma fuga do ser humando. Ele gostaria de ser famoso, por exemplo, então faz com que todos acreditem que ele de fato é. Talvez, dessa forma, ele se sinta melhor, de alguma forma realizado. Virtualmente realizado.
Além disso, todos temem o fracasso. A sociedade nos cobra a todo o tempo sucesso. Um bom emprego, uma boa casa, bons filhos, um bom carro. Mas apenas uma minoria consegue isso, gerando assim uma multidão de fracassados. Entretanto, num teatro constante, todos são felizes, motivados e corretos, como diz Roberto Shiyashiki em entrevista à revista Época. Isso tudo acaba fazendo certas pessoas “pirarem”. Uma pessoa simples pensa não ser valorizada na sociedade devido à sua função social, então se esconde atrás de uma máscara, imaginando que, dessa forma, será mais bem aceita. Entretanto, muitas vezes está se ridicularizando sem perceber.
Mas as pessoas não fingem apenas a riqueza. Muitos também gostam de tirar uma onda de miserável para gerar pena nos demais. Enfim, as pessoas fingem diversas coisas. Fingem ser o que desejariam ser. Existe doido pra tudo. Mas, na minha opinião, mentir demasiadamente é doença e deve ser tratado no psicólogo. É difícil diagnosticar tal distúrbio e mais difícil ainda o indivíduo assumir o problema. Mas situações constrangedoras podem ocorrer caso a pessoa não veja que deva mudar.
Até porque esse negócio de mentir é complicado. Às vezes começa com uma mentirinha à toa, mas uma leva à outra e quando você vê já está completamente envolvido naquela coisa toda e não há mais como sair. Tem gente também que tem mania de mentirinhas. Mentem por causa de tudo. Coisas banais, que não fariam diferença alguma caso fosse dito a verdade. Mas não, mente-se pelo prazer de mentir. Isso pra mim também é loucura.
Muitas vezes a mentira pode tornar uma situação extremante mais confortável, mas ela simplesmente não vale a pena. A maioria das vezes o ônus da descoberta da verdade te leva a perceber que ela não vale a pena. Lembrem-se: Mentira tem pena curta!!!
Bjos,
Paula Varejão.

