Posts de Julho, 2007

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Ganhando dinheiro com a desgraça alheia.

Dom 22 Julho, 2007

Eu sei que isso é muito fácil de perceber. Mas é incrível como a mídia usa as tragédias como forma de ganhar dinheiro (audiência). Esses dias após a tragédia com o Airbus em Congonhas eu estava reparando nos conteúdos das notícias que saiam nos grandes meios, desde os jornais locais até os nacionais, e o que saiu de matéria sem conteúdo apenas dizendo mais do mesmo não é brincadeira. Pior, começam a achar defeito em todas as pistas de aeroportos do país, como se viajar de avião hoje fosse mais arriscado que antes. Parecem que os jornalistas tão se esquecendo de informar para que depois se forme opinião para, em detrimento disso, plantar informações descabidas com a idéia de ganhar mais audiência.

A tragédia tem de ser noticiada, claro, ela possui um ótimo apelo para ser veiculada, é de interesse público. Mas brincar com inconsciente coletivo não é, nunca foi, e nunca será função de jornalista. Se fosse para levar o povo a se revoltar, reclamar, pedir pro governo mais infra-estrutura eu até aceitaria (mesmo discordando, mas as vezes os fins justificam os meios) porém o quevemos não é isso. É quase como terrorismo, estão chegando ao cúmulo do absurdo.

“O maior desastre da aviação brasileira”. Eu não aguento mais ouvir essa porcaria de frase e suas devidas variações. Sim, foi um desastre. Sim, existem culpados. Sim, pode acontecer de novo ( oh eu implantando o medo!). Mas a gente vê um avião batendo num prédio toda hora? Quantos acidentes aéreos vemos ao redor do mundo? Só pq no Brasil teve a infeliz conjunção de fatores de que dois pilotos num Legacy batem num avião e pouco tempo depois outro não consegue parar e bate temos o caos e o perigo na aviação? É exatamente isso que eu acho terrível: OS DOIS ACIDENTES NÃO TEM LIGAÇÃO NENHUMA. Mas o que a redes de notícia fazem? Olha, o Brasil tá uma merda para voar, se num vier um jatinho e te pegar lá em cima na hora que vc pousar vai ficar sem freio e vai bater no muro!

Parece até comédia, mas a desgraça dá muito mais dinheiro que qualquer coisa. Somos sádicos lembra?

Por Daniel Vieira

ps: Não to defendendo o governo. Mas tá ridículo, se a aeromoça tiver problemas de flatulência no avião é culpa do Lula. As vezes eu fico pensando será que essa campanha toda contra o Lula não é uma tentativa de num futuro destituir o capeta lá no inferno e botar o barbudo  com uns chifres lá? As notícias que sairam parece até que o Lula foi lá em Congonhas dar uma azeitadinha na pista pra ver o avião batendo.

ps2: Eu tenho de parar com ps’s, toda vez agora encho de ps meus posts… ehuehue

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Fazendo média.

Sex 13 Julho, 2007

Não, não sou do tipo de cara que gosta de fazer média. Nem to fazendo esse post pra fazer média com ninguém, talvez seja exatamente o contrário. Talvez por eu ter ligado a muito tempo o botão do “foda-se” eu perceba mais fácil o quanto as pessoas ficam fazendo média uma com as outras. Num desses meus posts anteriores eu falei de interesse, e esse “fazer média” é a forma mais comum de cobrir e alcançar seus interesses e acredito que a forma mais sem sinceridade de todas.

Sabe aqueles elogios sem sinceridade, aquelas formas de dizer as coisas sempre tentando “não ofender” ou “para não mudar as coisas”. Fazer média, para mim, é pura falsidade. Uma vez enquanto eu conversava com minha ex-namorada exatamente sobre isso ela veio me falar que somente fazendo média se pode crescer em empresas. Eu discordei na época, discordo até hoje e continuo achando que se algum dia eu precisar crescer que seja por puro mérito e não por ser um grande “fazedor de média”.

Eu não tenho saco pra ficar perto de quem eu não to com a mínima vontade de conversar só por conta de algum interesse. Nem deixo de lado minhas convicções para “não ficar mal” com ninguém. Mas 99% das pessoas fazem isso e elas conseguem ganhar algo em cima disso? Conseguem, mas será que são coisas bem construídas e que terão durabilidade? Não creio.

Quem faz muita média não tem mérito nenhum que o sustente, não tendo mérito, no primeiro problema, na primeira oportunidade, o fazedor de média é quem roda. Essa lógica serve profissionalmente, serve politicamente, serve em relacionamentos. Pq fazer média uma ou duas vezes quase nunca é percebido, mas quem vive de fazer média sempre uma hora deixa a máscara cair e assim que o fazer média é percebido a pessoa que está sendo “vítima” desse fazedor de média buscará excluí-la.

Eu pelo menos faço isso, algumas pessoas que pensam igual a mim também fazem. Para mim, “fazer média” está mais para “fazer merda”. Como disse uma vez para mim o Mafra, “o preço da sinceridade é o risco da ofensa”, prefiro ser sinceramente ofensivo que amistosamente falso.

Por Daniel Vieira

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Perfect Drug

Qui 12 Julho, 2007

Acordei cedo hoje, não sei exatamente pq. Eu tava lembrando duma letra do Nine Inch Nails e resolvi postar pq acabei de perceber qual a droga a que ele se refere na letra (eu pensava que era a que existe na composição do absinto, mas engano meu).


Foi estranho perceber isso. Eu, mesmo nunca tendo usado, já senti como os efeitos da cocaína agem na pessoa. Amigos meus já usaram, alguns ainda usam, conheço gente que já deixou coisas como capacete(e o dele não era dos mais baratos) na boca pq acabou o dinheiro e ele “precisava” cheirar mais. Eu não tenho condições de descrever com clareza os efeitos bons da cocaína, apesar de ter uma breve noção, euforia, inquietação, sensação de poder, enfim, fica tudo em uma estranha velocidade, você simplesmente deixa de ser mais um na massa e se torna o um na massa, se é que me entendem.

Mas eu percebi que essa letra do NIN se tratava de cocaína (ou pode ser outro engano meu) por conta de dois versos na letra. “Quanto mais dou a você, mais eu morro… E eu te quero”. O engraçado que anos atrás, quando eu ouvia mais NIN, cheguei até a crer que podia se tratar de uma relação absurda de amor. Mas é mais ou menos isso que a cocaína parece fazer, te apaixona. E não é uma paixão normal, mas sim algo um tanto escravizante. Os efeitos da cocaína parecem brincar com seus desejos, ela não chega a te entregar tudo, mas te mostra boa parte do que você pode vir a ser com ela e quando você acha que está alcançando o seu objetivo… acabou. E você quer mais, mais, mais… E vai seguindo até acabar seu dinheiro, ou até seu corpo cair em exaustão.

Lógico, nem todo mundo enxerga a droga pelos lados que eu escolhi enxergar. Mas não acredito que uma pessoa se drogue por se drogar pq simplesmente não tem sentido. Pode parecer filosófico demais, mas as pessoas se drogam para repetir a sensação que fez bem(e quando experimentam é para ter uma nova sensação). Outro problema da cocaína é que, pelo que já ouvi, a melhor sensação acontece só uma vez, a primeira. Tudo que se segue depois serão tentativas frustradas de “chegar lá”, isso acontece com outras drogas como o ecstasy, mas com a cocaína é um tanto mais cruel já que ela não te dá uma explosão de prazer e sim um tanto e você crê, iludidamente, que ao cheirar mais um pouco chegará nessa explosão, mas os efeitos são sempre bem menores.

Outra coisa estranha que me ocorreu agora é que em 2003 eu li um livro chamado “Romance com cocaína” de M. Aguiév, e ele narra mais ou menos o que é a cocaína. Tudo bem que a degradação que o autor/personagem passa é catastrófica mas a parte do que relatei acima é exatamente parecida e acho que foi até por essa lembrança que consegui ligar a música a droga.

Por Daniel Vieira

Ps: Repito, pode ter muita coisa errada ai. Nunca passei por essa experiência (só com i-doser ehuehueheue) e não arrisco por conta de eu me viciar muito fácil em tudo que eu faço, pra mim já basta ser fumante e tomar coca-cola o dia inteiro.

Ps2: Odeio dormir 2 horas numa noite e acordar parecendo que dormi 20 horas seguidas e com a cabeça a 200km/h. Ainda mais quando to de férias! HUEheue

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Satisfação.

Sex 6 Julho, 2007

É estranho como nós nos sentimos satisfeitos e aliviados depois de um grande stress. Essa semana passada eu estava sobre grande estado de tensão. Eu estava produzindo junto com uns amigos meus uma Rave, que felizmente deu certo e é disso que eu quero falar hoje.

Eu não sei exatamente pq, mas as vezes parece que quanto maior o stress maior é a alegria de ver algo dando certo. Eu não sei explicar a sensação que senti quando vi a festa cheia de gente ou quando eu tava tocando e vejo aquele mar de gente pulando e falando que não conseguem parar de dançar pq eu fiz uma mixagem muito boa. E essa satisfação é tão melhor que qualquer coisa que já tomei na minha vida, quase como uma droga natural, eu fiquei eufórico!

E parece que isso vicia, eu já não vejo a hora de fazer outra festa só para quando estiver cheio pensar assim “isso é culpa minha”! Ou de tocar pra um monte de gente que eu nunca vi na minha vida e ficar satisfeito só de ver aquele monte de gente satisfeita com o que você tá fazendo. Isso se for explicar “quimicamente” deve ser por conta da grande descarga de serotonina no cérebro.

Acho que por isso tanta gente gosta de um pouco de pressão. A sensação de satisfação depois de ser pressionado ou estar preocupado é muito maior. Eu nunca tinha tocado pra tanta gente, estava pressionado, um pouco nervoso apesar de estar seguro. Quando vi que o pessoal estava gostando do que tava ouvindo era como se um mundo tivesse saído das costas e eu estivesse leve. Quando você faz uma prova difícil e tira uma boa nota, ou até quando você bebe aquele copo de água depois de ter ficado com muita sede. Satisfação!

Aquilo que é difícil é sempre “mais gostoso”. Ter o mínimo de esforço faz as coisas parecerem valer mais do que elas valem e isso gera um prazer inestimado e inigualável. O peso de ter uma responsabilidade, superar a responsabilidade e as pedras no caminho e fazer as coisas darem certo gera muita satisfação. Aquele momento que você acha que “não vou conseguir” e no final, conclui com exito faz com que seu corpo descarregue toda uma onda de prazer que como disse antes, não tem como explicar.

Por Daniel Vieira

ps: Isso é pra aqueles doidos que achavam que eu tinha tomado algo na rave. Eu tava completamente sóbrio, estava eufórico pela festa ter dado certo e por ter tocado muito bem.