Posts de Outubro, 2007

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E nunca é o suficiente.

Sex 26 Outubro, 2007

De novo, lendo o fórum da Hardmob (sim, é um fórum nerd de pc, mas no Boteco as vezes aparece algo do gênero) eu li um tópico que me chamou a atenção. Eu até postei umas coisas lá sobre o que eu achava sobre o assunto e aqui vou dissertar melhor sobre isso.

O ser humano é um ser de desejos. Isso não é discutível pois acho que todo mundo concorda que isso é um fato, somos movidos graças a nossa máquina cerebral, ao nosso Ego, que nos ordena o que fazer com nosso o corpo para satisfazê-lo. Mas o foco da discussão que tivemos lá foi:  Nunca pararemos de querer mais? Essa necessidade de conquista nunca acabará? Nunca estaremos satisfeitos com aquilo que temos?

A resposta é não. Nunca estaremos satisfeitos completamente. Todo mundo pensa assim: Ah, um dia eu terei uma casa, uma família, um carro, um bom emprego e estarei feliz. Mas até nesse desejo simples e alcançável existe algo do intangível. O homem precisa de motivações, pois quando não se tem rumo a vida perde o sentido. Sem sentido é preferível estar morto.

Claro, quando alcançamos objetivos que tinhamos ficamos extremamente felizes. E acho que isso é mais ou menos o que considero felicidade, mas já perceberam que depois de um tempo essa felicidade se desgasta e estamos em busca de outro objetivo? Uma pessoa que pode ser dita feliz é uma pessoa que alcança vários objetivos seguidamente. Um após o outro e quando deseja uma coisa nova vai atrás, consegue, é feliz e assim sucessivamente.

Mas porque diabos somos essa máquina de engolir desejos? Eu acredito que por um motivo único e simple: A nossa racionalidade. Quando nos deixamos racionalizar nossos desejos e necessidades mudaram. Um animal só se move segundo às suas necessidades (comida, água, reprodução) e nós humanos também temos essas necessidades, porém, quando racionais, criamos novas necessidades, novas formas de “alimentação”. Hoje, mais que o corpo, é necessário alimentar nossa própria racionalidade. Por isso no post anterior disse aquilo que pessoas burras são mais felizes, o alimento da racionalidade delas é mais fácil de ser alcançado.

Voltando ao título do tópico e tentando concluir isso aqui: Não se assuste. Temos essa necessidade de desejo para sobreviver no mundo. Se uma pessoa não quer mais, ela não se moveria. Se uma pessoa não vê mais pq de continuar, ela com certeza se mataria. A vida, felizmente ou infelizmente, é um eterno jogo de gato e rato, onde o gato é o desejo e o rato é o objeto desejado, porém, o dia que o gato conseguir capturar o rato e se esse gato nunca mais tiver fome e não quiser comer outros ratos… Entendem?

Por Daniel Vieira

ps: O wordpress tava lento ontem? Eu tentei entrar na página de administração pra postar isso e não consegui, hoje tava ruim tb.

ps2: Eu acho que esse assunto é legal até pra mostrar como e pq do socialismo como foi implantado não funcionar. Talvez depois faço um post sobre isso.

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Ser inteligente e infeliz, ou burro e feliz?

Seg 22 Outubro, 2007

Eu estava lendo um fórum na internet outro dia e me deparei com essa frase, muito interessante e verdadeira, sobre como a inteligência pode influenciar diretamente na felicidade. Acho que isso é tão antigo e sombrio quanto o pensamento humano. Já no Gênesis bíblico, que para mim é uma grande e interessante metáfora, existe uma referência a essa pequena e conturbada pergunta. Se não me engano, o fruto que era proíbido tinha o nome de “Fruto do Conhecimento” e quando este foi comido por Adão e Eva eles tiveram grande sofrimento. O que isso significa?

Significa, claramente, que a nossa existência quando baseada em racionalismo, realismo, ou seja lá do que desejem chamar, nos tornam pessoas amargamente infelizes. Pensar enlouquece, entristece, machuca. É como se ao criarmos teias gigantescas para sistematizar a vida e o mundo, percebemos como o ser humano é falho, como nós mesmos somos falhos e como aqueles de quem dependemos e queremos bem também são falhos. Vemos que apesar de tudo que façamos o mundo e o homem jamais serão perfeitos e tudo não passa de uma grande loucura cheia de erros e falhas grotescas.

Será que vale a pena ser inteligente e, graças a isso, sofrer? Ou valeria muito mais, desconhecer a simples malevolicidade do mundo e sorrir diante da própria ignorância? Eu a muito tempo, tenho tentado me equilibrar num caminho mediano. Eu conheço exatamente como meu pensamento funciona, até onde minha cabeça tenta e pode me levar quando eu a deixo pensar. Dizem que o trabalho enobrece os homens, os torna felizes e essa ladainha toda. Hoje, concordo em parte. O trabalho ocupa a cabeça e a forma de eu tentar fugir da minha própria inteligência é matando-a com ocupações intelectuais repetitivas e mecânicas: Trabalho. Eu entendo, numa visão muito cética e quem sabe até pessimista, que o trabalho emburrece os homens.

Lógico, não existe somente o trabalho como uma forma de matar a inteligência e fugir do demônio, que isto pode se tornar se não for domado. Existem outras formas, mais simples porém, muito mais perigosas. Formas, digamos, de emburrecer temporariamente e assim buscar abraçar por algum tempo aquela satisfação besta que chamamos felicidade. Eu uso o desvinculamento com o meu mundo, seja bebendo, seja saindo com pessoas diferentes, seja simplesmente ligando um interruptor do foda-se na cabeça e deixando todo o resto pra lá. Mas é sempre temporário, não adianta, sempre que consigo manter por algum tempo o meu demônio enjaulado ele se volta contra mim e vem revigorado, sedento por sistematizações e novamente me vejo pensando, e como alguém disse e uso essa frase repetidamente: pensar enlouquece.

E ultimamente eu tenho convivido com pessoas, digamos, que não possuem o demônio em suas cabeças, ou se possuem o ignoram completamente. E eu vejo, claramente, como essas pessoas são mais satisfeitas com a vida e, por ignorarem, são mais felizes. Pessoas que almejam muito pouco, beirando até a mesquinharia, mas mesmo assim são felizes. A burrice inerente delas gera uma falta de preocupação com coisas que seriam motivos de preocupação para alguns, a burrice delas os torna mais realizados com necessidades menores que as daqueles que são inteligentes, a burrice deles os torna até melhores, certas vezes, que aqueles que são inteligentes.

As vezes, sinceramente, nego a minha própria inteligência. Desligo a chave geral e assim tento rir da desgraça e sorrir do pouco e me satisfazer com isso. Até admiro e, de certa forma, invejo quem não se preocupa com isso e simplesmente é feliz em sua grata burrice e ignorância. Mas certamente estou seguindo pela trilha do meio, as vezes me “emburreço” para rir dessa coisa que chamamos mundo e quem sabe ser aquilo que chamamos feliz.

Por Daniel Vieira

Ps: Entendam, burrice e inteligência são conceitos muito mais amplos que simplesmente notas em faculdades e essas coisas. Nota em faculdade, muitas vezes é baseada na repetição e reprodução daquilo que se aprende. Inteligência na minha visão e de muitos outros é uma forma de raciocínio e não de reprodução. Pensar é ser inteligente. Burrice é ignorar o que está a sua volta e o que te cerca, fechar os olhos para tudo além do teu próprio umbigo. Logo, para aqueles que se sintam ofendidos, entendam primeiro os significados das coisas, para quem sabe depois, continuarem ofendidos. =]

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Pessoas descartáveis.

Qui 18 Outubro, 2007

Tá, tudo bem, estou bebado. Mas isso não pode passar em branco. Eu já estava com isso na cabeça e eu hoje comprovei minha teoria, mais uma, vou virar um filósofo e quem sabe assim poderei viver de meu ócio!

As pessoas não valem nada hoje em dia. São tão descartáveis quanto uma garrafa Pet de refrigerante vagabundo. Hoje, mais do que em outros dias, pude comprovar isso. Eu posso até afirmar que já cheguei a acreditar que pessoas podiam se mover segundo afinidades e interesses, mas sinceramente? Elas querem usar, sim como se fossemos objetos, e quando o interesse acaba, somos descartados, meio como pratos plásticos sujos depois de um aniversário. Não passamos de objetos de uso mútuo, o que é usado pra um parece novo ao outro.

Sim, quem está lendo isso não precisa interpretar meu texto. Eu vou dizer claramente. Somos OBJETOS para uso ALHEIO quando nos tratamos de relações interpessoais. Eu poderia problematizar, justificar meu devaneio, mas prefiro deixar isso em aberto.

Como diria um bom poeta que escreveu uma famosa letra dum dance antigo “Some of them want to use you”. Objetos, tão usáveis e descartáveis quanto um garfinho plástico.

 Por Daniel Vieira

Ps: Bebi e não to ligando a mínima. Depois elaboro melhor isso.

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Sanidade barata.

Qua 10 Outubro, 2007

Mantive-me são. Dentro daquela normalidade do mundo, um dia, um mês, um ano. Enlouqueci tantas vezes, brinquei com minha cabeça, coloquei-a a prêmio que o desafio da sobriedade e da normalidade pareciam ser extramente interessantes. Como se de tão louco estar a loucura se tornar algo normal e o normal se tornar em algo fabulosamente estranho.

Então mantive-me são, mas simplesmente a sanidade já não está para mim como o Sol está para o dia. Nublou-me o tempo e a tempestuosa loucura brinda comigo durante todo o dia e quando durmo torço para que o Sol brilhe por debaixo das nuvens e eu volte ao que já fui… Mas jamais voltarei. Tantas foram as vezes e com tanta força desejei a loucura que ela se instalou como um câncer em meu corpo, foi dominando meu cérebro e, enfim, quando quis deixá-la de lado já era tarde demais.

Para que manter-me são se a sobriedade do mundo tenta me destruir? Se não há paz na sobriedade, se não há nela nenhuma felicidade, se a realidade só nos consome? Porque só assim sabemos que estamos realmente vivos. A loucura certas vezes parece a morte, ou até quem sabe o sonho. Com suas asas sob sua cabeça não necessitamos dos outros e os outros não se importam. É engraçado, louco, você consegue se manter só, não como um eremita dentro de sua gruta profunda mas sim como um fantasma no meio da multidão, não se importando se aqueles que te cercam valem algo para você.

Mas a loucura é egoísta. Vem e te toma como uma amante, te prende e fascina e quando você tenta livrar-se dela, simplesmente,  esqueceu como era o ser são. Enlaçado em suas teias você se debate, sabe que está preso, mas quanto mais tenta fugir dessa agonia mais firmemente preso está a ela, mais fios ela joga em sua mente, menos você consegue sobreviver. A insanidade é como um caminho que a cada passo dado dentro dela um abismo se abre no passo anterior e, caso tente voltar, cairá para sempre dentro de uma nova loucura.

Então, mantive-me louco. Amando minha própria loucura, desejando-a todo dia. Desisti de voltar e nesse caminho sem volta seguirei, então, com alegria.

Por Daniel Vieira

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O Mundo, o Caos e Eu.

Sáb 6 Outubro, 2007

Talvez eu possa exagerar um pouco nesse texto, mas como sempre fui dado aos excessos e aos exageros relevem algumas idéias mirabolantes. Eu vejo duas formas de mundo, um mundo exterior, o das coisas existentes e um Mundo interior, do campo das idéias. Para diferenciá-los eu vou usar a letra maiúscula quando for falar do Mundo interior.

Pois bem, eu não me lembro exatamente onde eu li sobre isso e nem o porquê de eu ler isso mas existem teorias engraçadas da interação do Mundo com o mundo. Alguns exotéricos, estudiosos, superticiosos, sei lá como denominá-los dizem simplesmente que as vontades interiores ajudam a moldar a realidade exterior, não somente aquela do campo da tua própria ação mas sim como se o universo realmente pudesse se moldar completamente de acordo com as vontades de todos. Tudo bem, pode parece insanidade isso (ah, mas você tá num blog sobre loucura e queria o que?) mas eu tenho percebido o mundo se moldando às minhas vontades mais sinceras como se eu fosse simplesmente o Deus e Diabo de minha própria existência. Tá mas aí vocês vão se perguntar: “Ok e como o ‘Senhor’ explica as coisas ruins que te acontecem? Você deseja o seu próprio mau?”

Por isso do Caos no título, não desejamos nosso mau, mas temos um pequeno problema, nosso humor varia e nessa variação de humor, muitas vezes, o mundo se molda ao estado do teu Mundo. Então se seguirmos a linha de raciocínio a resposta é sim, desejamos nossa própria falha, mesmo inconscientemente. Nosso Mundo é tão imprevisível quanto o próprio mundo. Nos gerimos dentro do Caos e nisso transformamos o mundo para satisfazer o nosso Mundo.

Essa idéia me faz lembrar o filme Vanilla Sky(que por acaso é muito bom) e me faz pensar naquela verso idiota daquela musiquinha do criança esperança “Depende de nós”. Pensando dessa forma percebemos que na verdade quem é o detentor do destino é o nosso próprio ego e suas maluquisses. Tudo bem, essa idéia pode parecer absurda pq teriamos de gerir um choque de Egos, não só de um ou dois Egos mas de bilhões deles e assim se o mundo fosse se moldar a cada vontade absurda das pessoas o mundo seria muito estranho e impraticável e só nos restariam duas possibilidades: Os outros não existem e são somente criação do teu próprio Ego para satisfazer a necessidade de comunicação e a sensação de existência ou, o que acho mais plausível, os choques das vontades fazem o mundo ser como é e nesse choque as vontades mais fortes vencem e por isso uns tem “sorte” e outras vezes “azar” já que nem sempre é possível ganhar sempre.

Onde eu queria chegar nessa lenga-lenga descrita até aqui? Que para conseguirmos o que queremos não basta somente a ação, mas demandamos também do nosso desejo de conseguir. As vezes que estamos mais seguros de nós mesmos, mais fortemente interessados são, sem dúvida, as vezes que temos aquela maior sorte do mundo e nosso esforço precisa ser o mínimo, parece que aquilo era o que estava pré-destinado, como se aquilo ali fosse algo simplesmente natural e não pudesse ser diferente. Pode até ser viagem da minha cabeça, mas é como eu tenho visto o meu Mundo interfirindo nos acontecimentos gerais do mundo em que estou.

Por Daniel Vieira