
Sanidade barata.
Qua 10 Outubro, 2007Mantive-me são. Dentro daquela normalidade do mundo, um dia, um mês, um ano. Enlouqueci tantas vezes, brinquei com minha cabeça, coloquei-a a prêmio que o desafio da sobriedade e da normalidade pareciam ser extramente interessantes. Como se de tão louco estar a loucura se tornar algo normal e o normal se tornar em algo fabulosamente estranho.
Então mantive-me são, mas simplesmente a sanidade já não está para mim como o Sol está para o dia. Nublou-me o tempo e a tempestuosa loucura brinda comigo durante todo o dia e quando durmo torço para que o Sol brilhe por debaixo das nuvens e eu volte ao que já fui… Mas jamais voltarei. Tantas foram as vezes e com tanta força desejei a loucura que ela se instalou como um câncer em meu corpo, foi dominando meu cérebro e, enfim, quando quis deixá-la de lado já era tarde demais.
Para que manter-me são se a sobriedade do mundo tenta me destruir? Se não há paz na sobriedade, se não há nela nenhuma felicidade, se a realidade só nos consome? Porque só assim sabemos que estamos realmente vivos. A loucura certas vezes parece a morte, ou até quem sabe o sonho. Com suas asas sob sua cabeça não necessitamos dos outros e os outros não se importam. É engraçado, louco, você consegue se manter só, não como um eremita dentro de sua gruta profunda mas sim como um fantasma no meio da multidão, não se importando se aqueles que te cercam valem algo para você.
Mas a loucura é egoísta. Vem e te toma como uma amante, te prende e fascina e quando você tenta livrar-se dela, simplesmente, esqueceu como era o ser são. Enlaçado em suas teias você se debate, sabe que está preso, mas quanto mais tenta fugir dessa agonia mais firmemente preso está a ela, mais fios ela joga em sua mente, menos você consegue sobreviver. A insanidade é como um caminho que a cada passo dado dentro dela um abismo se abre no passo anterior e, caso tente voltar, cairá para sempre dentro de uma nova loucura.
Então, mantive-me louco. Amando minha própria loucura, desejando-a todo dia. Desisti de voltar e nesse caminho sem volta seguirei, então, com alegria.
Por Daniel Vieira
É a terceira vez que volto para ler este texto.
Tão puro e explicitamente correto, ao mesmo tempo inexplicável, ao mesmo tempo, porque não, louco.
Não privo mais do que sinto.
Sou completa, e completamente minha, minha alegria, minha tristeza, meu amor, meu ódio, meu coração.
De que adianta esconder? Ser pela metade?
Intensidade é vida e vida nada mais é se deixar levar.
Por isso eu rio no ônibus, fumo, transo, respiro…
Se um dia me abster da vida, não é da vida que sentirei falta… e sim disso tudo.
É estranho ler uma interpretação do meu texto, mas simplesmente… não existe interpretação. Era mais um desabafo, um cansaço, mas mesmo assim, literariamente uma brincadeira de palavras.
Só tenho a agradecer o seu comentário, que tomo desde entao como um elogio =]
adorei tudo que li aqui…é verdadeiro e eu me senti real, lendo e sabendo que não sou unica, ou ao menos que há pessoas que sabem…que sabem…
E quero dizer que quando li quaze tudo que está escrito nessas pgs, eu percebi que não era eu que tinha escrito tudo isso, mas que era eu tmb que tinha sentido!!!!!
Parabéns Daniel Vieira! Vc escreve muito!
Me dispertou uma vontade de conversar com vc!!!!
Deixei esse comentario em varios lugares, pois…gostei muito…li muitas vezes e não cansaria de ler mais vezes……..
Na verdade, ninguém sabe Patrícia, nem eu, nem você. A cabeça das pessoas, para bem ou para o mal, funciona duma forma tão intrincada que sinceramente, as vezes, relendo o que já escrevi discordo de posições que tive e vejo que a mente é algo tão complicado que nunca vamos desvendá-la por completo. Isso fascina e… assusta.
Agradeço, sinceramente, o elogio aos meus textos. Apesar de eu saber que eu sou um tanto cíclico pra escrever eu até tento criar certa regularidade no blog, apesar de não conseguir mantê-la.
Quanto a vontade de conversar, não vejo nenhum problema nisso. Tem um dos meus e-mails no meu perfil, mas se quiser até passo o meu msn e conversamos. =]
…..sabe que sempre que escrevo, acontece isso, de momentos eu perceber que ja não estou tão de acordo com as palavras que estão ali escritas, mas sei que um dia eu senti e percebi o que escrevi…e talvez um dia ainda volte a sentir ou a perceber que tudo aquilo era uma verdade para mim….
olha eu posso ser meio devagar, mas não achei o e mail que vc disse ter no seu perfil….nem sei se achei perfil…hehe
continuo querendo falar, seja por msn ou e mail…
vou te deixar meu e mail e meu msn, alias é o mesmo, se quizer me add no msn, vou gostar……
patiboeira@hotmail.com
grande abraço!!!!!