Posts de Novembro, 2007

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In-existência

Sex 30 Novembro, 2007

E eu queria, sem ver, escrever e conseguir colocar duma forma “entendível” tudo que eu tenho pensado nessas semanas, nessa noite, principalmente. É engraçado como nosso pensamento foge quando a idéia é boa e só lhe falta pegar pelo rabo dela enquanto ela foge por aí, nesses cantos escuros do cérebro. Mas 0kay… vamos tentar.

Eu podia simplesmente jogar tudo pro alto. Já fui tanta coisa, quase tudo na verdade, louco, punk, poeta, músico, cozinheiro, escritor, amante, filho, professor, aluno… EU podia simplesemente jogar tudo pro alto, deixar pra trás uma história, uma vida e um mundo. Começar de novo? Não! Nunca! Mas ao jogar tudo pro alto eu inexistiria. Seria como aquelas estrelas que se apagam num céu limpo e ninguém percebe.  E quem quer perceber algo que se apaga num lugar onde todo dia nasce mais um?

Mas, com o passar dos dias eu percebi que não existe uma real forma de inexistir. Você pode pirar e apagar seu passado, mudar de cidade, país, planeta, galáxia… mas e dentro de você mesmo? A tua existência anterior ao radicalismo da mudança continuará a martelar, como aquelas máquinas bate-estacas, erros anteriores voltarão, acertos, tristezas e alegrias. A sua existência dentro da inexistência. Confuso? Eu tentarei simplificar.

A nossa existência, nossa… consciência continua existindo independentemente da nossa inexistência para os outros. Você pode fazer tudo errado e destruir todas as coisas que você fez, manchar sua “reputação”, perder a confiança de todos. As pessoas que você um dia prejudicou, ou que sabem de algo daquilo que você se envergonha, se esquecerão de você um dia, isso é fácil, basta mudar o círculo de amigos, cidade, local de trabalho. Mas você esquecerá isso?

Como disse no início do post. Jogar tudo para o alto e inexistir é muito fácil. Mas nunca conseguiremos deixar tudo para trás. Superam-se traumas, vergonhas, erros e até se aprende algo com eles. Mas esquecer? Ser outra pessoa diferente? Só apagando a própria e real existência. Sem querer ser trágico e dramático mas, mesmo assim, sendo: Só a morte nos libertaria da nossa própria existência. Então acostumem-se com suas próprias frustrações pois essa tal de vida real é aquele tipo de jogo que não tem save, não tem “extra-life”, nem segunda chance. Se existisse isso, seria muito fácil e quem sabe até perderia a graça, não?

Por Daniel Vieira

ps: Eu ia postar esse texto a quase um mês atrás. Estava incompleto, estava estranho e muito mais sem sentido. A idéia acabou se distorcendo com o tempo mas continua a mesma em sua essência.