
Em busca da… felicidade?
sáb 14 maio, 2011Nascemos, crescemos e vivemos para nos tornarmos infelizes? Bem, observando os parâmetros da vida em sociedade e como ela nos leva a insatisfação, penso que nada pode ser mais danoso à mente humana que a própria insatisfação. Mas como ela surge? Afinal, quando entramos nessa espiral de insatisfações sem fim? E de onde surgiu o conceito de felicidade?
Sem ser hipócrita. Duvido que alguém seja capaz de ser feliz. As armadilhas do dia-a-dia impedem. O próprio funcionar humano impede. O nosso racionalismo impede. Ora, o que existe, na verdade, é a sensação de que somos capazes de alcançar a “felicidade” e tornamos essa a nossa meta de vida. Buscar a felicidade, um estado pleno, duradouro e perfeito de ser, estar e sentir. Mas isso existe?
Pare para pensar: quantos minutos do dia você conseguiu alcançar esse estado de felicidade? Quantos dias no ano? Quando foi a última vez que se sentiu plenamente feliz, sem nenhum incômodo, insatisfação, problema ou qualquer outra coisa? Difícil, não? Essa sensação de estarmos sempre próximos e, ao mesmo tempo, distantes da felicidade parece uma idéia plantada na cabeça das pessoas. E precisamos desse estado de felicidade, quase como escravos de um sentimento que ninguém sabe ao certo como alcançar, ou até o que exatamente ele é.
Fisiologicamente, é um monte de reações químicas desencadeadas no cérebro e, nesse momento, estamos com a sensação de felicidade. Só que é impossível estar assim todo o tempo. Existe sempre a insatisfação natural das pessoas e da condição humana. Umas querem possuir algo, outras alcançar um status, outras ter reconhecimento, que seja. Mas, sempre, estamos em busca de algo a mais, isso nos move, isso nos faz levantar a bunda da cadeira e ir atrás da… “felicidade”.
Mas, se analisarmos de perto, nós veremos que uma rotina quase mecânica nos move em direção ao futuro.
Rotina.
Rotina que esmaga e persegue qualquer um que queria fugir de suas garras sufocantes. Trabalho, filhos, família, escola, dinheiro, amor, casamento… E, nesse esmagar da individualidade, tentamos criar, sim, um modelo mental de que essa rotina é necessária às pessoas, à sociedade e ao objetivo de felicidade. E quando não conseguimos, de forma contínua, alimentar essa máquina, nos sentimos frustrados, negados ao “sentido de existir da vida” a felicidade. Amaldiçoamos Deus, o diabo, os outros, tudo.
Nesse momento, as reações são distintas. Cada um busca apoiar seu vazio nietzcheano em células societárias reconfortantes. Uns vão à igreja e pedem a Deus que os faça felizes. Uns buscam analistas, para enquadrá-los em padrões, regras e, por conseqüência, à vida rotineira. Outros buscam drogas, do álcool ao crack, como forma de entregar ao corpo a sua dose de felicidade.
E adianta? Bem, por parcos momentos. A infelicidade insatisfeita volta. A sociedade se aproveita disso. Vendemos sonhos, esperanças e, com isso, conseguimos alimentar nosso mundo com 7 bilhões de pessoas sem objetivos claros além de nascer, viver, reproduzir e morrer. Morrer buscando o inalcançável.
“Fazemos isso pois queremos um mundo mais justo”, disse o Julian Assange, do Wikileaks, à Trip. E quem disse que a Justiça vai trazer a noção de felicidade? Como se o mundo mais justo fosse condição para descermos com as essências platônicas das esferas perfeitas e nos sentiríamos felizes eternamente. Não, não é. E é impossível alcançar, com justiça, injustiça, amor, ódio, conquistas, drogas, Deus ou esperança.
Nos venderam um sonho impossível. Um sonho que nos faz manter nossas cabeças erguidas em direção ao objetivo vazio. O motivo disso, sinceramente, eu não sei. Mas vejo com a clareza do cristal que é um caminho sem fim, aliás, com fim, o nosso próprio fim.
Por Daniel Vieira