
O anarquismo ético e moral
sáb 10 setembro, 2011A nossa geração – a dos 20 aos 30 anos- vive uma época de quase anarquismo moral. Os filhos do fim da ditadura confundem a valoração das relações interpessoais, os padrões éticos e a construção de hierarquia como cerceadores de liberdades. Confundir, na verdade, seria um tanto otimista. Pois, quando se confunde, existe espaço para o esclarecimento.
Sermos criados nesse período da história teve seus prós e contras. A vantagem está na valorização dos indivíduos, no reencontro com a liberdade de expressão e sua fomento nos meios sociais, políticos e comunicacionais. Porém, e sempre o porém, essa valoração desconstruiu parâmetros vigentes e nos colocou num certo “faça você mesmo os padrões éticos e morais”.
Oras, não sou reacionário quanto a essas questões. Muito pelo contrário. Gosto da mudança, acho-a interessante e creio que precisávamos mudar os parâmetros éticos e morais. Mas a mudança, nem sempre, significa evolução. Quando quebramos o ciclo evolutivo desses padrões, os deixamos em mãos que, infelizmente, não estavam preparadas a moldá-los conforme o necessário.
Quando digo anarquismo, digo no sentido mais baixo da palavra. Anarquismo prega a substituição da autoridade pela livre-decisão. A grande questão é que, além disso, as teorias anarquistas respeitariam a máxima kantiana. Seria um contrato de boa convivência e, só assim, o anarquismo poderia existir.
Mas, com a desconstrução dos valores éticos e morais, o anarquismo tomou conta da reconstrução. Faça você mesmo sua ética e sua moral – independente se isso vá ferir a de outras pessoas. Com isso, estamos construindo milhares de revalorizações éticas, mas distorcidas, sem fundamentos e alicerces. Teorias éticas válidas somente a uma pessoa. Eu posso fazer isso, porém, se o fizerem, serão condenados (por mim, claro).
Só assim pode-se explicar os fenômenos “sociais” de nossa geração. Uma geração que não é hipócrita, mas possui, sempre, dois pesos, duas medidas, ou N pesos, N medidas. A sociedade dos absurdos. Do niilismo. Da esquizofrenia ética e moral. Nietzsche deve rir em sua tumba, afinal, ele sempre esteve certo.
A transcendência de valores, infelizmente, não aconteceu. Agora é aguardar para vermos onde esse lapso levará.
Por Daniel Vieira