Posts com Tag ‘literatura’

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Dom 2 Agosto, 2009

Sinto-me sozinho,/
como se nenhuma outra luz existisse./
A negritude avassaladora do mundo me engole/, 
me sufoca e me acolhe/. 
Sinto-me só./
Os pontos de luz que existiam/
vão se apagando/,
se distanciando./
Até que nenhum calor exista mais./
Até que eu esteja completamente só./
E jã não tenho vontade de enxergar outras luzes/
pois, sei que no final,/
elas se apagarão também./
E só me sentirei, só.

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Sanidade barata.

Qua 10 Outubro, 2007

Mantive-me são. Dentro daquela normalidade do mundo, um dia, um mês, um ano. Enlouqueci tantas vezes, brinquei com minha cabeça, coloquei-a a prêmio que o desafio da sobriedade e da normalidade pareciam ser extramente interessantes. Como se de tão louco estar a loucura se tornar algo normal e o normal se tornar em algo fabulosamente estranho.

Então mantive-me são, mas simplesmente a sanidade já não está para mim como o Sol está para o dia. Nublou-me o tempo e a tempestuosa loucura brinda comigo durante todo o dia e quando durmo torço para que o Sol brilhe por debaixo das nuvens e eu volte ao que já fui… Mas jamais voltarei. Tantas foram as vezes e com tanta força desejei a loucura que ela se instalou como um câncer em meu corpo, foi dominando meu cérebro e, enfim, quando quis deixá-la de lado já era tarde demais.

Para que manter-me são se a sobriedade do mundo tenta me destruir? Se não há paz na sobriedade, se não há nela nenhuma felicidade, se a realidade só nos consome? Porque só assim sabemos que estamos realmente vivos. A loucura certas vezes parece a morte, ou até quem sabe o sonho. Com suas asas sob sua cabeça não necessitamos dos outros e os outros não se importam. É engraçado, louco, você consegue se manter só, não como um eremita dentro de sua gruta profunda mas sim como um fantasma no meio da multidão, não se importando se aqueles que te cercam valem algo para você.

Mas a loucura é egoísta. Vem e te toma como uma amante, te prende e fascina e quando você tenta livrar-se dela, simplesmente,  esqueceu como era o ser são. Enlaçado em suas teias você se debate, sabe que está preso, mas quanto mais tenta fugir dessa agonia mais firmemente preso está a ela, mais fios ela joga em sua mente, menos você consegue sobreviver. A insanidade é como um caminho que a cada passo dado dentro dela um abismo se abre no passo anterior e, caso tente voltar, cairá para sempre dentro de uma nova loucura.

Então, mantive-me louco. Amando minha própria loucura, desejando-a todo dia. Desisti de voltar e nesse caminho sem volta seguirei, então, com alegria.

Por Daniel Vieira

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Perfect Drug

Qui 12 Julho, 2007

Acordei cedo hoje, não sei exatamente pq. Eu tava lembrando duma letra do Nine Inch Nails e resolvi postar pq acabei de perceber qual a droga a que ele se refere na letra (eu pensava que era a que existe na composição do absinto, mas engano meu).


Foi estranho perceber isso. Eu, mesmo nunca tendo usado, já senti como os efeitos da cocaína agem na pessoa. Amigos meus já usaram, alguns ainda usam, conheço gente que já deixou coisas como capacete(e o dele não era dos mais baratos) na boca pq acabou o dinheiro e ele “precisava” cheirar mais. Eu não tenho condições de descrever com clareza os efeitos bons da cocaína, apesar de ter uma breve noção, euforia, inquietação, sensação de poder, enfim, fica tudo em uma estranha velocidade, você simplesmente deixa de ser mais um na massa e se torna o um na massa, se é que me entendem.

Mas eu percebi que essa letra do NIN se tratava de cocaína (ou pode ser outro engano meu) por conta de dois versos na letra. “Quanto mais dou a você, mais eu morro… E eu te quero”. O engraçado que anos atrás, quando eu ouvia mais NIN, cheguei até a crer que podia se tratar de uma relação absurda de amor. Mas é mais ou menos isso que a cocaína parece fazer, te apaixona. E não é uma paixão normal, mas sim algo um tanto escravizante. Os efeitos da cocaína parecem brincar com seus desejos, ela não chega a te entregar tudo, mas te mostra boa parte do que você pode vir a ser com ela e quando você acha que está alcançando o seu objetivo… acabou. E você quer mais, mais, mais… E vai seguindo até acabar seu dinheiro, ou até seu corpo cair em exaustão.

Lógico, nem todo mundo enxerga a droga pelos lados que eu escolhi enxergar. Mas não acredito que uma pessoa se drogue por se drogar pq simplesmente não tem sentido. Pode parecer filosófico demais, mas as pessoas se drogam para repetir a sensação que fez bem(e quando experimentam é para ter uma nova sensação). Outro problema da cocaína é que, pelo que já ouvi, a melhor sensação acontece só uma vez, a primeira. Tudo que se segue depois serão tentativas frustradas de “chegar lá”, isso acontece com outras drogas como o ecstasy, mas com a cocaína é um tanto mais cruel já que ela não te dá uma explosão de prazer e sim um tanto e você crê, iludidamente, que ao cheirar mais um pouco chegará nessa explosão, mas os efeitos são sempre bem menores.

Outra coisa estranha que me ocorreu agora é que em 2003 eu li um livro chamado “Romance com cocaína” de M. Aguiév, e ele narra mais ou menos o que é a cocaína. Tudo bem que a degradação que o autor/personagem passa é catastrófica mas a parte do que relatei acima é exatamente parecida e acho que foi até por essa lembrança que consegui ligar a música a droga.

Por Daniel Vieira

Ps: Repito, pode ter muita coisa errada ai. Nunca passei por essa experiência (só com i-doser ehuehueheue) e não arrisco por conta de eu me viciar muito fácil em tudo que eu faço, pra mim já basta ser fumante e tomar coca-cola o dia inteiro.

Ps2: Odeio dormir 2 horas numa noite e acordar parecendo que dormi 20 horas seguidas e com a cabeça a 200km/h. Ainda mais quando to de férias! HUEheue

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Vivendo a loucura.

Qui 28 Junho, 2007

Descobri-me louco. Um daqueles sujeitos que há muito tempo perderam a razão. Talvez um daqueles que brincaram de ser Deus mas só conseguiram despertar o próprio Diabo em sí. Talvez só mais um entorpecido pelo insano.

Descobri-me louco. Minha lucidez já não existe. Confundo os sonhos com a realidade e nunca sei direito se o que está acontecendo é real ou mais uma peça encenada dentro de minha própria cabeça. Se essa continuidade entre um deitar e outro não são na verdade as horas que levanto quando acho que durmo e se o que eu tomo como realidade não é na verdade mais um sonho.

Descobri-me louco. Tanto que já não confio em minhas certezas. E a incerteza de ser me faz esperar algum lugar seguro para ir. Mas se a certeza é só uma miragem? Então os oásis da minha mente são todos falsos e já não existe onde eu me refugiar. Como num infinito deserto onde só exista a minha loucura para me guiar.

Descobri-me louco. Perdido entre os espaços em branco da minha memória. Já não me lembro o que eu exatamente fui, não tenho certeza do que sou e não faço a mínima idéia do que serei. De tudo restou apenas alguns fragmentos mas os quebra-cabeças da minha mente não se encaixam mais, trocaram as peças e esqueceram de avisar.

Descobri-me louco. E é como comer o mel, os favos e as abelhas. Consigo tudo mesmo não conseguindo nada. Crio meus mundos, minhas realidades, meus prazeres mas é tudo somente meu. E essa indivisibilidade é dolorosamente amarga.

Descobri-me louco. E somente sendo louco consigo ser. A sanidade fugiu de mim como um inseto foge de um repelente. E me restou a loucura, sórdida, cruel, mas continua sendo tudo que tenho e tudo aquilo que posso ser.

Descobri-me louco.. e agora não sei se há alguma outra forma de continuar.

Por Daniel Vieira.

Ps: Acabou a matéria de TPME! Agora o blog fica completamente por nossa conta(mas já era meio assim né?) =]