Posts com Tag ‘Personalidade’

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Aos que comentam, os comentários

Qua 30 Setembro, 2009

As vezes eu me pego lendo os comentários de quem lê o blog e me impressiono com a capacidade das palavras em tocar as pessoas. No blog, já escrevi algumas dezenas de posts sobre assuntos diversos, alguns mais polêmicos, outros mais sérios e objetivos. Mas lendo os comentários sobre meus posts sobre distúrbios de personalidade as vezes fico completamente tocado pelos relatos, quase como se pudesse sentir a mesma sensação que aqueles que escreveram estavam sentindo.

Me sinto responsável, como poucas vezes me senti, em dizer algumas coisas para confortar essas pessoas que buscam alguma resposta, ou que questionam algo, ou que simplesmente acreditam que de alguma forma exista alguma solução menos amarga para os problemas que encontram relatados aqui.

Não sei o rumo que dar a esse blog. Já foi experimental de uma diciplina do curso de Com. Social – Jornalismo da Ufes mas hoje, ainda mais agora, nem eu sei que caminho tomar aqui. As vezes era só um espaço de desabafo, não de serviço, mas depois de ler alguns comentários em posts tão velhos e que continuam sendo lidos, comentados e solicitados fico preocupado com pessoas que nunca vou conhecer de verdade, é uma sensação que só vivendo pra saber, de impotência e potência ao mesmo tempo, a primeira por não poder atuar de forma plena na ajuda a essas pessoas, de potência pq sei que tenho um canal aberto com alguns desses e que, seja lá por qual motivo for, elas me darão ouvidos.

Fiquei pensando no poder que existe nisso tudo e no vínculo que acabo criando sem perceber com quem me lê aqui. E com isso acho que valorizarei mais os que comentam por aqui.

Por Daniel Vieira

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Fases criativas.

Ter 14 Abril, 2009

Eu tinha largado o blog de lado. Depois de quase um ano, sei lá exatamente o motivo, o blog voltou a minha cabeça. De maio passado pra cá aconteceu um monte de coisa na minha vida e ao mesmo tempo parece que nada, ou melhor, quase nada mudou realmente. Mas enfim, pretendo voltar a postar aqui pelo menos semanalmente. Eu resolvi voltar por causa das coisas que eu vim passando ultimamente e que renderiam bons posts no blog.

Esses dias fiquei pensando em como funcionam exatamente meus processos criativos. Deixe-me explicar melhor. Eu como pessoa, sempre sem querer me envolvi com “arte”. Sempre escrevi verso, poesia, contos, depois me envolvi com música (um dos motivos de eu ter parado com o blog foi esse). Apesar de não me ver como artista me vejo envolvido mais com o lado emocional/irracional que com o lado técnico/racional.

Mas por incrível que pareça as vezes simplesmente me transformo. Ou travo. Não consigo romper minhas próprias barreiras e deixo de ser criativo. Caio nas repetições. Como um vício, fico a+b e raras as vezes consigo pular do b para o c. Viro quase uma máquina de repetição, linha de montagem, operário e não criador.~

E lendo sobre coisas relacionadas a criatividade, li várias e várias vezes que “95% é transpiração e 5% é inspiração”. Acho o contrário. Parte técnica, de música, de poesia, de conto, prosa, crônica, no fundo é, e isso é uma percepção que tive durante esse ano, algo como andar de bicicleta. Você aprende, treina e fica cada vez mais seguro disso. Mas ela por si só não te entrega uma bela poesia, um conto fantástico, um hit. Ela te faz ser simplesmente tecnicamente perfeito, mas e atingir a “alma” do que aprecia sua obra? Existe técnica?

Claro, retirando as fórmulas batidas, repetições babadas de palavras, notas,  melodias e harmonias, técnica nenhuma faz de ninguém um blockbuster. E ainda que você saiba todos as fórmulas de cativar o público não existe como, somente trabalhando nas formuletas, chegar aos grandes hits. Você pode fazer algum relativo sucesso mas vai se transformar em mais um, num mercado musical cada vez mais pulverizado? Num mundo virtual tão amplo? Nada além, nada além.

O que me questiono hoje é se todos os “artistas” passam por essas fases criativas. Como se existisse uma cota de assuntos. Não sei se isso acontece comigo pelo simples fato de eu, como posso dizer sem parecer estranho ou simplesmente maluco, me isolar de tempos em tempos do mundo, parar de me relacionar com as coisas externas e gastar tudo que eu tenho e então, novamente, procurar por motivações, buscar inspirações, renovar meu cérebro. Ou se na verdade, eu penso que é assim mas mesmo que se eu estivesse inserido num mundo, rodeado de coisas novas inevitavelmente eu passaria por períodos de excassez criativa.

O maior problema hoje para mim é  minha falta, por incrível que pareça apesar do abandono do blog, de foco. Eu passo pro excassez criativa em música hoje, mas consiguia escrever poesias.  Faço três ou quatro coisas, gasto minha criatividade em N coisas mas naquilo que eu preciso ser criativo me torno simplesmente repetitivo, revejo o que já fiz e acabo fazendo o mesmo, com outra roupa, mas o mesmo. E claro, hoje, estou na mingua da minha criatividade, nem poesia, nem música. Talvez eu precise de umas férias da minha cabeça, quem sabe eu volte a ser criativo.

Por Daniel Vieira.

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In-existência

Sex 30 Novembro, 2007

E eu queria, sem ver, escrever e conseguir colocar duma forma “entendível” tudo que eu tenho pensado nessas semanas, nessa noite, principalmente. É engraçado como nosso pensamento foge quando a idéia é boa e só lhe falta pegar pelo rabo dela enquanto ela foge por aí, nesses cantos escuros do cérebro. Mas 0kay… vamos tentar.

Eu podia simplesmente jogar tudo pro alto. Já fui tanta coisa, quase tudo na verdade, louco, punk, poeta, músico, cozinheiro, escritor, amante, filho, professor, aluno… EU podia simplesemente jogar tudo pro alto, deixar pra trás uma história, uma vida e um mundo. Começar de novo? Não! Nunca! Mas ao jogar tudo pro alto eu inexistiria. Seria como aquelas estrelas que se apagam num céu limpo e ninguém percebe.  E quem quer perceber algo que se apaga num lugar onde todo dia nasce mais um?

Mas, com o passar dos dias eu percebi que não existe uma real forma de inexistir. Você pode pirar e apagar seu passado, mudar de cidade, país, planeta, galáxia… mas e dentro de você mesmo? A tua existência anterior ao radicalismo da mudança continuará a martelar, como aquelas máquinas bate-estacas, erros anteriores voltarão, acertos, tristezas e alegrias. A sua existência dentro da inexistência. Confuso? Eu tentarei simplificar.

A nossa existência, nossa… consciência continua existindo independentemente da nossa inexistência para os outros. Você pode fazer tudo errado e destruir todas as coisas que você fez, manchar sua “reputação”, perder a confiança de todos. As pessoas que você um dia prejudicou, ou que sabem de algo daquilo que você se envergonha, se esquecerão de você um dia, isso é fácil, basta mudar o círculo de amigos, cidade, local de trabalho. Mas você esquecerá isso?

Como disse no início do post. Jogar tudo para o alto e inexistir é muito fácil. Mas nunca conseguiremos deixar tudo para trás. Superam-se traumas, vergonhas, erros e até se aprende algo com eles. Mas esquecer? Ser outra pessoa diferente? Só apagando a própria e real existência. Sem querer ser trágico e dramático mas, mesmo assim, sendo: Só a morte nos libertaria da nossa própria existência. Então acostumem-se com suas próprias frustrações pois essa tal de vida real é aquele tipo de jogo que não tem save, não tem “extra-life”, nem segunda chance. Se existisse isso, seria muito fácil e quem sabe até perderia a graça, não?

Por Daniel Vieira

ps: Eu ia postar esse texto a quase um mês atrás. Estava incompleto, estava estranho e muito mais sem sentido. A idéia acabou se distorcendo com o tempo mas continua a mesma em sua essência.