…mim?
Outro dia eu estava analisando as coisas que eu falo e, talvez seja somente comigo isso, percebo que muitas vezes estou atuando ao invés de ser completamente sincero. Não sei se isso seja coisa que se fale, mas se eu fosse completamente “verdadeiro” conseguiria sobreviver?
É estranho como o mundo várias vezes te obriga a não sinceridade. Não que sejamos falsos, mas como vamos dizer “olha, esse corte de cabelo ficou ridículo” ou “Não enche!”?
Talvez pela idéia do politicamente correto, do “relações saudáveis”, daquele espírito polido, nós tenhamos de ser tão falsos. Quase como atores em vida, escolhemos bem as palavras, metodicamente, para nos mantermos bem com os outros, mesmo quando não queremos alguns tão bem assim.
Ok, imagino o tanto de briga que ia dar se todo mundo fosse mais sincero. O mundo seria mais desagradável? Talvez, pelo menos saberiamos exatamente onde estamos pisando e com quem estamos lidando. As vezes tento imaginar o que se passa na cabeça do outro enquanto fala. Se está sendo sincero ou está simplesmente dissimulando, como na maioria das situações temos de atuar, é um bom exercício a se fazer imaginar o que o outro esta a pensar.
E são raras as vezes que não estamos falando sem atuar. Raras as pessoas que nos conhecem de verdade e para quem mostramos nossas verdadeiras facetas. Talvez confiança faça isso nascer com o tempo. Talvez afinidade, não sei. Mas e se não existisse ninguém em que vc confie? Passará o resto da sua vida atuando? Sendo N personagens por dia? Será que numa dessas você não perde sua identidade e fica sem saber quem realmente é? Quase como aqueles quebra-cabeças, onde cada peça existe sozinha, mas o conjunto, ainda misturado, não possui identidade nenhuma.
Por Daniel Vieira


